Natália vê ouro escapar a 30 segundos do fim

Brasileira perde para a mexicana Rosario Espinosa, a mesma que a havia eliminado no Mundial da China

Bruno Chazan, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2007 | 05h31

Um golpe sofrido a cerca de 30 segundos do toque da campainha acabou com o sonho da brasileira Natália Falavigna de conquistar sua primeira medalha de ouro em Jogos Pan-Americanos. A decisão da categoria acima de 67 quilos do tae kwon do, ontem à tarde, se encaminhava para o fim, quando a brasileira, que administrava a vantagem por 1 a 0 sobre a mexicana Rosario Espinosa, aplicou um chute praticamente ao mesmo tempo que a adversária. Os árbitros validaram apenas o de Espinosa.Desconcentrada, Natália levou novo golpe logo aos oito segundos do tempo extra e perdeu o título no golden point. Era apenas o começo de uma enorme frustração para a brasileira.Foi a segunda derrota seguida para Espinosa - a primeira aconteceu nas semifinais do Campeonato Mundial, em maio, na China. Ao deixar a arena montada no Pavilhão 4 do Riocentro, Natália apenas balbuciou algumas palavras para as emissoras de TV. Ao desligar das câmeras não se segurou e caiu num choro copioso.Depois, refeita, a lutadora paranaense retomou as entrevistas. ''''Não gosto de reclamar da arbitragem, mas poderia ter sido diferente. Deveria ter feito 3 ou 4 pontos para não depender dos juízes'''', lamentou.Lúcida, apesar da tristeza, Natália, de 23 anos, encontrou na religião algum consolo. ''''Deus tem um plano para mim, talvez Ele tenha colocado essa prata na minha vida para que eu possa aprender'''', declarou.A Confederação Brasileira se revoltou com o resultado e entrou com recurso, negado depois de consulta aos juízes laterais. Mas Natália já não se preocupava com uma eventual reversão da derrota. Como Diogo Silva, campeão na categoria até 68 quilos e dono do primeiro ouro brasileiro no Pan, aproveitou a atenção da mídia para reclamar das condições de trabalho oferecidas pela entidade.''''Precisamos de mais apoio. Temos uma equipe fantástica, mas falta quem possa bancar essa equipe'''', disse Natália, que também não recebe o bolsa-atleta. Vive do salário de R$ 600, pagos com atraso pela entidade, e uma ajuda de custo da Bombril, que não chega a R$ 1 mil, segundo amigos.Ainda conta com uma bolsa de estudos da Universidade do Norte Paraná, em que cursa o 3º ano de Educação Física. A lutadora paga por conta própria preparador físico, nutricionista e fisioterapeuta. ''''Preciso de um incentivo privado para que na próxima vez possa chorar de alegria.''''Depois, em entrevista coletiva na presença dos atletas, o presidente da confederação, Yong Min Kim, anunciou aumento de 100% de salário para Diogo e 50% para os outros medalhistas no Rio: Natália, Leonardo Santos e Márcio Wenceslau. Os lutadores, sem demonstrar constrangimento, detonaram a medida. ''''É uma injustiça, porque R$ 1.200 não vai mudar muita coisa. Além disso, não é justo dar 100% para mim, 50% para os outros e 0% para quem não ganhou'''', atacou Diogo.

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