Náutico explica reação: não pagou os salários

''''Nós apelamos para a vergonha na cara dos atletas'''', diz Ricardo Valois, presidente do clube pernambucano

Cosme Rímoli, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 00h00

Se a diretoria do Corinthians quiser seguir o caminho do Náutico, time que conseguiu a maior reação no Campeonato Brasileiro, com cinco vitórias consecutivas, os jogadores que se preparem. A fórmula do time pernambucano é simples: atrasar salários e premiação. "Nós apelamos para a vergonha na cara dos jogadores", afirma o presidente Ricardo Valois. "O rebaixamento seria a pior coisa para o clube e para as suas carreiras. E eles reagiram sem dinheiro, sem prêmio a mais, sem nada", diz o dirigente."O Náutico é o clube que tem maior dificuldade financeira no Campeonato Brasileiro. Nós estamos fazendo jantares e rifas para tentar ajudar a pagar a folha de pagamento e premiações que estão mesmo atrasados quase dois meses", conta o presidente do Náutico. "É a vergonha na cara que pesa nessa hora. Do rebaixamento, estamos pensando na vaga na Copa Sul-Americana", afirma Valois.Para a reação, contou muito mais a superação em campo e o compromisso com o treinador do que a parte financeira. "Os jogadores confiaram no treinador e o treinador confiou nos atletas", resume o técnico Roberto Fernandes. "Nessa hora o que conta é a união e esquecer de tudo, até do dinheiro", assegura o treinador.O clube pernambucano passou quatro rodadas na última colocação do Nacional. E nada menos do que 20 rodadas na zona de rebaixamento. Depois de uma seqüência incrível de cinco vitórias consecutivas - 4 a 2 sobre o Paraná, 4 a 1 diante do Botafogo, 3 a 0 no Goiás, 2 a 0 sobre o arqui-rival Sport e 5 a 0 diante do Náutico -, o time está na 13ª colocação e com o vice artilheiro do Brasileiro, o uruguaio Acosta, com 15 gols.Além da vergonha na cara e da união, houve uma profunda mudança de rumo. O treinador Paulo Cesar Gusmão e seu esquema ofensivo fracassaram. Assim como Gleguer, Marcel, Valencia, Beto e Cris, que foram dispensados.Da ousadia irresponsável de PC Gusmão, que chegou a colocar o fraco time no esquema 4-3-3, Fernandes enfrentou a realidade. Tratou de organizar o humilde 3-6-1 que muitas vezes durante os jogos, depois que o time está em vantagem, cai para o 3-7-0. O importante é somar pontos da maneira que der.Com o passar dos jogos, o time pernambucano ganhou colocações e confiança. A ponto do treinador criar coragem de colocar dois atacantes fixos, uma revolução.O CRAQUENo processo de recuperação do Náutico, um jogador foi fundamental: Acosta. O meia chegou de graça depois que acabou seu contrato de dois anos com o Peñarol. Impressionou a diretoria por dvd. "Ele chegou na hora certa. Foi importante porque cresceu de acordo com a importância das partidas. E por sinal, acabamos de renovar o seu contrato por mais um ano hoje (ontem)", informou o presidente Ricardo Valois, acabando com a esperança de outros clubes. "Colocamos uma multa rescisória (R$ 3,6 milhões) irrisória pelo talento que ele tem", esnoba o presidente Valois.

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