Navios poderão ser solução para falta de quartos em 2016

Comitê Organizador dos Jogos do Rio busca alternativas para suprir déficit de acomodações em hotéis na cidade

Alessandro Lucchetti, ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h06

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (CO-Rio) está tentando equacionar o problema da falta de acomodações em hotéis, segundo o seu presidente, Carlos Arthur Nuzman, que está participando da 124.ª sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI).

O dirigente apresentou um relatório sobre as atividades do CO-Rio e a marroquina Nawal El Moutawakel, executiva responsável pela Comissão de Coordenação do evento, também divulgou informações aos membros do COI e passou recomendações que deverão ser seguidas pelo Comitê Organizador Local para melhorar os trabalhos.

Nuzman disse que a falta de hotéis será resolvida com a construção de vilas próximas do Parque Olímpico e do porto. A prefeitura do Rio vai se responsabilizar por essas obras, segundo ele.

Navios que fazem cruzeiros ficarão aportados e oferecerão o número de vagas faltante, promete o dirigente. A necessidade de leitos suplementares está sendo calculada.

Tudo dependerá de outro número, o de leitos disponíveis em hotéis. A prefeitura se comprometeu a entregá-lo em dezembro deste ano.

El Moutawakel sugeriu que haja maior sinergia entre o comitê organizador da Copa de 2014 e o da Olimpíada de 2016. Na coletiva que encerrou o dia, Mark Adams, diretor de comunicações do COI, e Christopher Dubi, diretor de Esportes da entidade, observaram que o fato de o Brasil receber os dois eventos dentro de um espaço de tempo tão curto tem dois aspectos.

"Há um lado positivo, porque o Mundial de futebol pode resultar em vários sistemas que podem ser aproveitados pelos Jogos Olímpicos, como esquemas de segurança e transporte, bem como procedimentos adotados na chegada de delegações ao aeroporto. O outro lado é que os dois eventos consumirão um montante grande de dinheiro. Mas preferimos ver a visão positiva", observou Adams.

E o hóquei? Apenas uma pergunta foi feita na coletiva à equipe brasileira encarregada de divulgar os planos de 2016. Foi formulada por Francesco Ricci Bitti. O italiano quis saber como está o encaminhamento da escolha das instalações para o hóquei sobre grama.

No plano original, seria construída uma arena provisória na Barra da Tijuca. Agora, os planos do CO-Rio se voltam para a construção de uma estrutura fixa em Deodoro, como explicou Agberto Guimarães, diretor de esportes do CO-Rio.

Embora incomode, a indefinição não deve durar muito. As propostas estão na mesa da Federação Internacional de Hóquei, que deverá se decidir por uma ou outra opção.

Há problemas mais sérios no Rio, e nem todos os membros do COI estão cientes deles.

O CO-Rio necessita que a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) autorize a demolição do autódromo de Jacarepaguá para poder construir o Parque Olímpico. Mas a CBA exige que esteja pronto o autódromo de Deodoro, prometido pelo CO-Rio, para deixar Jacarepaguá ser demolido.

Indagado pela reportagem do Estado sobre o assunto, Dubi disse desconhecer o imbróglio. "Não tenho essa informação. Não foram feitas mais perguntas porque o COI esteve no Rio duas semanas atrás e foi elaborado um relatório bastante preciso sobre o andamento das obras. Avaliou-se que maiores inquirições não eram necessárias. Sei que há um volume incrível de trabalho a ser feito na Barra", disse o diretor de Esportes do COI. / A.L.

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