Isaac Brekken / AP
Isaac Brekken / AP

NCAA altera regra e libera atletas universitários para receberem dinheiro com patrocínio

Após perder disputa judicial na Suprema Corte dos EUA, associação anunciou legislação interina permitindo estudantes a monetizarem sua própria imagem e nome

Rafael Sant'Ana, especial para o Estadão

01 de julho de 2021 | 10h12

A NCAA, instituição responsável pelos esportes universitários nos EUA, anunciou que, enfim, permitirá que os atletas recebam dinheiro por meio de patrocínios. A nova política é histórica e premia anos de ativismo e pressão política sobre o órgão. Na prática, a nova legislação permite que qualquer atleta de uma universidade norte-americana, seja de basquete, futebol americano, beisebol e outras modalidades, possa lucrar com sua imagem e nome. 

Isso quer dizer que os esportistas poderão, por exemplo, participar de comerciais, vender mercadoria ou assinar autógrafos. Muitos já se perguntam quanto atletas de destaque como Zion Williamson, do New Orleans Pelicans, da NBA, e Trevor Lawrence, quarterback escolhido pelo Jacksonville Jaguars, da NFL, poderiam ter ganhado quando ainda estavam na faculdade.

Há nove dias, a Suprema Corte dos EUA pôs fim aos limite de compensações acadêmicas que os atletas universitários podem receber, fazendo a NCAA perder uma longa disputa judicial. Doze estados americanos já aprovaram ou estão no caminho para permitir o recebimento de patrocínios pelos atletas. O próximo passo é criar uma série de leis que possam ser aprovadas pelo governo federal.

"É revolucionário em termos das implicações a respeito do amadorismo", afirmou o agente de longa data Leigh Steinberg ao New York Post, que acrescentou que a mudança "cria um panorama totalmente novo."  

A discussão sobre o assunto vem acontecendo há muito tempo e ganhou força nos últimos anos. Por um lado, a NCAA supostamente buscava manter o amadorismo dos esportes universitários. Do outro, os atletas desejavam ser compensados por seu esforço fora da sala de aula. Muitos às vezes passam por dificuldades para bancar comida ou uma conta telefônica, apesar de receberem bolsa para estudar. Enquanto isso, a instituição de 115 anos é considerada uma indústria de US$ 14 bilhões (R$ 69 bilhões). 

Para se ter uma ideia da disparidade, o hoje quarterback do Miami Dolphins, Tua Tagovailoa, não recebia um centavo por suas contribuições à equipe de futebol americano de Alabama. Ao mesmo tempo, seu técnico Nick Saban tem um salário pouco abaixo dos US$ 10 milhões (R$ 49 milhões) por ano.

Desde a oficialização da nova regra, vários atletas já anunciaram patrocínios pelas redes sociais. As irmãs gêmeas Haley e Hanna Cavinder, jogadoras de basquete da universidade de Fresno State, assinaram com uma empresa de telefones e uma de nutrição. Juntas, elas acumulam 645 mil seguidores no TikTok e Instagram. Já o CEO da companhia de videogames YOKE, Mick Assaf, confirmou que assinará contratos com 5 mil atletas universitários para a plataforma.

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