Nem desculpas salvam Daniele Hypólito

Nem mesmo se pedir desculpas ao técnico Oleg Ostapenko, a ginasta Daniele Hypólito, de 20 anos, será aceita de volta na seleção brasileira permanente. "O futuro a Deus pertence, mas na atualidade ela está fora do grupo. Foi um choque, um dia antes da competição ver ela pegar a mochila e ir embora. Não se deve fazer o que fez com o técnico. Temos de dar um tempo para a Dani, o Oleg e a Confederação, para curar as feridas", afirmou, nesta sexta-feira, Vicélia Florenzano, presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBGin), após a abertura da Copa do Mundo de Ginástica, em São Paulo.Daniele abandonou a seleção na quinta-feira, após saber de Oleg Ostapenko que estava escalada para uma única prova na Copa do Mundo, a trave.A presidente da CBGin ainda disse que a "Dani vai ter de tirar lição desse ato e não adianta uma simples desculpa. Foi duro para ela, mas um golpe terrível para nós". Para Vicélia, perder uma das estrelas da ginástica brasileira na véspera da competição foi muito negativo para a imagem do Brasil, que está organizando a Copa do Mundo.Ela também afirmou que Daniele continuará sendo talentosa, vai treinar e uma hora poderá voltar. "Temos o Pan de 2007, a Olimpíada de 2008... Não quero dizer que a CBGin quer abrir mão da Dani", explicou. Mas revelou que nem mesmo uma conversa de cerca de duas horas com a ginasta, tentando convencê-la a não ir embora, foi suficiente. E informou que o próprio Oleg pediu que ela ficasse."Me faltou chão quando eu soube que iria embora, mas ela estava totalmente resolvida", contou Vicélia, que acha que Daniele não está bem desde janeiro, demonstrando cansaço e desânimo. "Isso estava plantado aqui", afirmou, apontando para o coração.A dirigente desmentiu "que Oleg não gosta de Daniele", como chegou a dizer Geni, a mãe da ginasta, no Rio. "Não tem preferência, na cabeça dele o que importa são os resultados", garantiu.Conselhos - Já a técnica Georgette Vidor, que não treina Daniele desde o ano passado, após uma convivência de dez anos, na seleção e no Flamengo, explicou que não pode julgar com profundidade o que ocorreu por não conhecer "os bastidores", mas acha que a ginasta está errada por abandonar a seleção. "Quem decide é o técnico. O atleta tem de obedecer. É claro que, nos bastidores, damos liberdade para o ginasta opinar, mas não do jeito que aconteceu. Em qualquer esporte, se o atleta não está bem vai para a reserva, se o atleta está fora de forma é cortado. É uma Copa do Mundo, não é um torneio qualquer", justificou.Georgette confirmou que Daniele sempre teve problema com excesso de peso. "Esse é o grande dilema da ginástica, o peso, não só dela, mas de todos", ressaltou. A técnica não vê bom futuro para Daniele treinando no Flamengo (apesar de equipamentos modernos, o clube não tem comissão técnica para treinar ginastas de alto nível). "Hoje em dia não faz sentido não estar em Curitiba (com a seleção permanente), não teria sentido ela voltar para o Flamengo." Sobre o conselho que daria a Daniele, Georgette afirmou que "seria preciso pedir muitas desculpas ao treinador". E ainda assim, admite que "isso não deve ser o suficiente para resolver o problema".Período de carência - Daniele Hypólito chegou a cogitar sobre a possibilidade de assumir outra nacionalidade para competir, mas a CBGin informou que esse seria um processo longo. Segundo Eliane Martins, supervisora de seleções, ela teria de cumprir dois anos de carência (exigida pela Federação Internacional de Ginástica) sem competir, se realmente optar por outra cidadania. E ainda teria de ter o aval da CBGin.De acordo com o pai de Daniele e Diego, Walter, que estava no ginásio do Ibirapuera nesta sexta-feira, a atleta volta sábado para São Paulo para assistir à competição.

Agencia Estado,

08 de abril de 2005 | 17h21

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