Eduardo Nicolau/AE
Eduardo Nicolau/AE

Neto avisa: 'Estou mais do que pronto'

Goleiro, que é reserva na Fiorentina, será titular no lugar de Rafael, cortado da seleção por contusão

Mateus Silva Alves,

25 de julho de 2012 | 03h05

LONDRES - Azar de um, sorte de outro. Embora se sinta constrangido para reconhecer que a lesão de Rafael foi uma ótima notícia para ele, Neto está feliz da vida por ter a chance de ser titular do Brasil nos Jogos de Londres. E ele espera aproveitar essa chance para não apenas ser o goleiro do time que conquistou a primeira medalha de ouro no futebol para o Brasil como para ganhar força na briga por um lugar na Copa do Mundo de 2014.

Já passou o choque pelo corte do Rafael?

Acredito que sim. Foi um momento bastante difícil para nós, como vem sendo para o Rafa. Mas a gente está do lado dele e a única maneira de superarmos isso é conquistando o campeonato e o deixando feliz por ter participado disso.

Você conversou com o Rafael após a divulgação da notícia?

Sim, conversei. Eu me coloquei no lugar dele e não gostaria jamais de estar passando por uma situação como essa, mas são coisas que acontecem, infelizmente aconteceu com o Rafa, como poderia ter acontecido com qualquer outra pessoa. Eu apenas dei o meu apoio. Ele está chateado como qualquer um ficaria por perder uma competição como a Olimpíada, mas é uma pessoa muito boa, do bem, que tem muita fé em Deus e sabe que se isso aconteceu com ele agora é porque há uma razão maior. Queremos o título para dar um conforto para ele.

A sorte sorriu para você?

É muito difícil falar em sorte por causa do companheiro. Ninguém quer entrar numa situação como essa. Quando um jogador sai por lesão é complicado, mas querendo ou não é uma oportunidade para mim e eu tenho de saber aproveitá-la.

Virar titular muda sua preparação para a Olimpíada?

Não, até porque o jogo (contra o Egito, amanhã) já está em cima. Eu já venho trabalhando forte, buscando meu espaço, e com essa infelicidade do Rafa aconteceu o momento de aparecer a minha oportunidade. Tenho de estar preparado. É um momento único, o momento da minha vida, e estou mais do que pronto para isso.

O que você espera do jogo com o Egito?

O primeiro jogo é o que pode mudar tudo. Se a gente conseguir uma boa estreia, a gente adquire confiança para o resto da competição. Será um diferencial muito grande essa partida para a gente adquirir essa confiança. O Egito coletivamente é muito forte, é um time muito rápido e ofensivo, e nós estamos bastante concentrados para conquistar essa vitória.

Muita gente no Brasil não o conhece. Isso o incomoda?

Isso acontece por eu ter atuado fora do eixo Rio-São Paulo, mas estou tranquilo, minha passagem pelo Atlético (Paranaense) foi maravilhosa, lá eu vivi quase oito anos da minha vida, é um clube fantástico. O campeonato que nós fizemos foi fantástico (o Brasileiro de 2010), começamos muito mal e acabamos em quinto, quase fomos para a Libertadores. Eu cresci muito com aquilo, cresci muito na Itália também, então isso de me conhecerem ou não é muito relativo. É óbvio que poderia ter acontecido de outra maneira, mas aconteceu desse jeito e estou muito feliz.

Não ser titular na Fiorentina atrapalhou?

É difícil, a gente sai (do Brasil) com a expectativa de manter o ritmo que vinha mantendo, mas isso é coisa que está fora do meu alcance. Eles me compraram, eu estava pronto e não me colocaram para jogar... É uma situação que não cabe a mim. É uma opção deles. Quando tive oportunidade eu fiz a minha parte.

Um bom desempenho na Olimpíada pode aumentar suas chances de ir à Copa de 2014?

É uma consequência. Se a gente fizer um bom papel, e de quebra conseguir a medalha de ouro, nós poderemos ficar marcados, as pessoas poderão se lembrar mais da gente. Mas, para ser sincero, eu me sinto na briga (para ir à Copa) desde a primeira vez que fui chamado, até por causa da Olimpíada fui um dos jogadores mais chamados (por Mano) da minha posição. Não tive a oportunidade de jogar, mas a Olimpíada pode ser um divisor de águas. Mas eu me sinto tranquilo em relação a isso, até porque ainda faltam dois anos, teremos duas temporadas e futebol é momento. A Olimpíada pode dar força, mas precisamos colocar o pé no chão porque já vimos muita gente ir à Olimpíada e não ir à Copa.

 

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