Ney Franco quer final feliz para um ano perfeito

Depois de conquistar o Paranaense e a subida à Série A, técnico vê título brasileiro como coroação do trabalho no Coritiba

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

Ney Franco não tem do que reclamar de 2010, embora ainda busque um final totalmente feliz para o ano que considera "perfeito". O técnico do Coritiba, que já celebrou a conquista do Estadual e o retorno para a Série A com quatro rodadas de antecedência, mira agora o título da Série B.

"Sei que para o clube o acesso era o importante, mas eu quero mais uma conquista no meu currículo", disse o treinador ao Estado, por telefone. "Estou caminhando para o meu 6.º ano como profissional. Tenho três títulos estaduais e uma Copa do Brasil. Não posso desprezar a conquista de um Brasileiro."

Independentemente do título da Série B, o currículo de Ney Franco da Silveira Júnior, nascido na mineira Vargem Alegre há 44 anos, já recebeu outros atributos. Desde setembro, ele responde também pelas categorias de base da seleção brasileira - tornou-se o coordenador das equipes menores e comandará o time sub-20 que tenta a classificação olímpica no Sul-Americano do Peru, em janeiro.

Mas, para poder aceitar o novo desafio, a concordância do Coritiba foi fundamental, assim como a tolerância da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). "Quando eu recebi o convite do Mano Menezes e do Ricardo Teixeira, a ideia era de que eu me desligasse imediatamente", revela. "Mas não queria deixar o time no meio do campeonato. Estava participando de um projeto. O importante é que tudo foi feito com muita transparência."

A confiança foi tanta que Ney tem se dividido em dois. Ao mesmo tempo que dirige o Coritiba na Série B, observa jogadores, conversa com atletas e dirigentes, faz relatórios para a seleção. Também já acertou uma viagem para o Peru - ficará no país entre os dias 22 e 24, analisando sedes. E praticamente não terá tempo para descansar, já que convoca a equipe no dia 30 e começa a trabalhar com os jovens craques brasileiros a partir de 8 de dezembro, na Granja Comary.

Responsabilidade. Ney assumiu o Coritiba em agosto de 2009, ao sair do Botafogo. A equipe paranaense foi rebaixada no início de dezembro, em jogo seguido por atos de violência da torcida no Estádio Couto Pereira. Para piorar, o time celebrava o centenário. Um cenário totalmente hostil para a permanência de um treinador. Mas Ney ficou. "Por incrível que pareça, em todo aquele processo, eu nunca fui questionado pela torcida", lembra. "Sempre que a queda foi discutida, meu nome foi preservado, embora sempre tenha demonstrado que tinha uma parcela de culpa no rebaixamento. Por isso, eu me convenci de que deveria ajudar o time a subir." E não foram poucas as propostas de equipes da Série A - Cruzeiro e Goiás, por exemplo. "Terminei o ano muito frustrado e abatido, mas tinha pensamento de que, no futuro, queria voltar ao Couto Pereira de cabeça erguida."

Enfrentou a saída de alguns jogadores, a desmotivação do grupo, a tristeza da torcida e uma dezena de jogos fora de casa, disputados em Joinville, como punição pela guerra campal no Couto Pereira. Agora, já é visto com saudades no Alto da Glória. No estádio, diz ouvir os gritos de "fica, Ney Franco". Nas ruas, conta, é parado com pedidos de permanência. O mesmo acontece em restaurantes, no aeroporto, quando passeia com a família. No clube, participa ativamente da escolha de seu substituto. "Não tenho dúvidas de que atingi meu objetivo."

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