JF Diorio/ Estadão
JF Diorio/ Estadão

'Neymar do beisebol' oficializa contrato de R$ 4,6 mi com time da MLB

Maior promessa do beisebol brasileiro, Eric Pardinho assinou vínculo de seis anos com o Toronto Blue Jays

Rafael Pezzo, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2017 | 21h10

Após muita expectativa, Eric Pardinho finalmente é do Toronto Blue Jays. Nesta quinta-feira, 6, em evento em um hotel da Zona de Sul de São Paulo, a maior promessa do beisebol brasileiro oficializou seu contrato de seis anos com a franquia canadense, pelo qual receberá luva de US$ 1,4 milhão (R$ 4,6 milhões). 

"Queria agradecer ao Toronto pela oportunidade, por acreditarem em mim. Eu estou emocionado, mas acredito que vai dar tudo certo", disse o garoto, com seu jeito tímido, em entrevista coletiva. Ao lado dele, estavam seus pais, Rosa e Evandro; seu agente, o venezuelano Rafael Nieves; Andrew Tinnish, gerente geral assistente dos Blue Jays; e Mitsuyoshi "Sensei" Sato, seu treinador de arremessos na Academia MLB, de Ibiúna. Além disso, o presidente Jorge Otsuka e outros membros da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), amigos e familiares de Pardinho também compareceram ao evento. 

O valor pago ao menino de 16 anos é o maior já dado a um jovem brasileiro na história. O número anterior era de US$ 880 mil (R$ 2,9 milhões, na cotação atual), recebidos pelo lançador Luiz Gohara do Seattle Mariners, em 2012. 

O garoto natural de Bastos, no interior de São Paulo, chamou a atenção dos olheiros norte-americanos em setembro de 2016, em Nova York, durante a etapa qualificatória do Clássico Mundial de Beisebol, a Copa do Mundo da modalidade. Na vitória por 10 a 0 sobre o Paquistão, Pardinho, à época com 15 anos, arremessou a bolinha perto das 95 mph (152 km/h), velocidade nem sempre alcançada por arremessadores profissionais da própria MLB. 

Desde aquele dia, cerca de 20 das 30 franquias que disputam a Major League Baseball sondaram o menino. Prova do sucesso aconteceu maio, quando um levantamento da MLB colocou o brasileiro como o quinto melhor jovem estrangeiro. Contando apenas atletas da sua posição, ele era o primeiro da lista.

 


Segundo Evandro, que tocou as negociações junto com Nieves, não somente o aspecto financeiro foi levado em consideração na decisão do destino do filho. "Recebemos diferentes ofertas de dinheiro e de trabalho, mas Toronto apresentou o melhor projeto. Nós descobrimos que eles estavam acompanhando o Eric desde que ele tinha 14 anos. Nós não sabíamos disso, mas eles já tinham vários relatórios dele. Na reunião, mostraram muito interesse", explicou.


EVOLUÇÃO ATÉ A MLB

As categorias de base da MLB, chamada de Grandes Ligas, são estruturadas na Minor League Baseball (MiLB), também conhecida como Ligas Menores. Este sistema é dividido em seis classes básicas, sendo Rookie, Rookie Advanced, Class-A, Class-A Advanced, Double-A e Triple-A. As 30 franquias da MLB possuem pelo menos um time afiliado em cada um dos níveis da MiLB.

Na próxima semana, Pardinho viajará à República Dominicana, onde começará a treinar com o time dos Blue Jays na Liga Dominicana de Verão, do nível Rookie. No entanto, ele só deverá começar a jogar no próximo ano. Não há a certeza de que ele iniciará nesta classe ou em outra superior, já nos Estados Unidos.

Tinnish preferiu não estimar quanto tempo Pardinho demorará até subir à elite, o que, em média, pode levar de cinco a sete anos. "Não acho que é justo colocar uma expectativa em jogadores, principalmente os mais novos. Eles mesmos irão determinar isso. Mas uma coisa que posso dizer é que, pela minha experiência com garotos de 15, 16 anos, com certeza, ele é um dos mais avançados que já vi", declarou Andrew.

Nesta primeira temporada, o brasileiro deverá receber somente uma ajuda de custo dos Blue Jays, algo em torno de US$ 1,100 (R$ 3,625) por mês. "Ele realmente vai ter um salário astronômico só quando chegar nas Grandes Ligas", contou Andrew. 

A partir do último domingo, 2, foi aberta a janela de transferências da MLB de jogadores estrangeiros que completam 16 anos em 2017. Pardinho é o terceiro brasileiro a assinar com uma franquia da liga. Logo no primeiro dia, o arremessador Heitor Tokar e o jogador de campo interno Victor Coutinho assinaram por sete anos com o Houston Astros. Nesta sexta-feira, 7, o também lançador Vitor Watanabe irá oficializar seu vínculo com o Milwaukee Brewers. 

Em maio, valendo ainda pelo ciclo iniciado em 2016, o arremessador Christian Rummel Pedrol assinou por sete anos com os Mariners. Na República Dominicana há pouco menos de dois meses, ele está esperando apenas a regularização do seu contrato para começar a jogar. 

A expectativa dos representantes da liga no Brasil era de que até seis jogadores do País fossem negociados nesta janela. Até agora, todos os negociados são integrantes Academia MLB Brasil, no CT Yakult, em Ibiúna, no interior de São Paulo. O projeto foi iniciado pela CBBS em 2000 e, desde janeiro, conta com apoio da entidade norte-americana.

Sem contar Pedrol, o Brasil conta com 12 jogadores no sistema de ligas de beisebol dos Estados Unidos. Atualmente, apenas Yan Gomes, receptor do Cleveland Indians, está na divisão de elite, com outros 11 nas Ligas Menores, entre eles André Rienzo e Paulo Orlando, que já passaram pela MLB recentemente. Este último, inclusive, se tornou o primeiro nascido no País a ser campeão da World Series, como é chamada a grande final da liga, em 2015, com o Kansas City Royals.


NEYMAR DO BEISEBOL

Prestes a completar 71 anos, Mitsuyoshi "Sensei" Sato foi o técnico de arremessos de Eric Pardinho em Ibiúna. Segundo ele, "assim como o Neymar nasceu para chutar bola, ele (Pardinho) nasceu para jogar bola". "Daqui para frente, só depende dele. Nós já fizemos nosso trabalho", diz, realizado. 

Treinador há 43 anos, sendo 35 com a seleção brasileira, Sensei é o grande mentor do menino, que o trata com respeito e admiração. Em troca, responde com conselhos que não servirão somente para as ações dentro do campo. "Sempre falei: talento é limitado, mas esforço próprio é ilimitado. Esse é o mais importante", profetiza. 

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