Neymar falha e Santos fica no 0 a 0

Em jogo de muita marcação contra o Universidad de Chile, atacante perde pênalti que poderia dar boa vantagem ao time no jogo e na decisão pelo título

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h02

O Santos poderia ter ido além do empate por 0 a 0 contra a Universidad de Chile na primeira partida da decisão da Recopa. Neymar perdeu um pênalti, acertou uma bola no travessão e o time dominou o primeiro tempo. A decisão do título - que poderá ser o segundo do centenário santista (ganhou o Paulista) - será no dia 26 de setembro, no Pacaembu.

A Recopa Sul-Americana reúne o campeão da Libertadores e da Copa Sul-Americana da temporada anterior. Esses méritos do passado recente de Santos e Universidad ganharam novo viço.

O esquadrão chileno perdeu craques, como Eduardo Vargas, e tinha três desfalques por contusão, mas conservou a envergadura: acabou de ser tricampeão chileno. Continua preocupado com a jogada bem construída, que ludibria o rival. Chutão é um pecado na bíblia do técnico Jorge Sampaoli. Eram tantas triangulações no começo que Durval ficou tonto. Esse esmero, no entanto, fazia contraste com as deficiências na defesa. A zaga chilena era um coador furado.

O Santos soube explorar esses rombos com uma inovação: Neymar virou armador, com liberdade para rodar o campo todo e até lançar, e Ganso aparecia como surpresa na área. Aos 14, o plano foi quase perfeito: Ganso recebeu de Neymar, deixou o zagueiro Rojas no chão, mas chutou em cima de Herrera.

Jogo aberto, lá é cá. Pena que o tempo estava mal-humorado. A chuva caiu aos cântaros (guarde essa informação) fazendo com que a temperatura de 5º C provocasse uma sensação térmica quase insuportável.

Aos 18, o lance mais importante do jogo. Neymar colocou Martínez e Cereceda no bolso, mas foi derrubado. A falta foi fora da área, mas o árbitro Nelson Pitana marcou pênalti. Na cobrança - agora é a hora de se lembrar da chuva - Neymar respirou fundo, mas escorregou na hora de bater. A bola foi por cima, numa lonjura sem fim e a joia santista ficou deitada sem acreditar.

Apesar do escorregão, o Santos impôs seu jogo, como gostam de dizer os jogadores, e teve outras oportunidades - menos gritantes -, mas suficientes para acuar os chilenos.

Muricy pedia para o Santos adiantar a marcação e sufocar o rival. Mas o pedido entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

Os chilenos apertaram o ferrolho, agora na base do chuveirinho mesmo, e conseguiram grandes chances aos 5, com Gutiérrez, e aos 22, com Acevedo. Na metade final, o jogo foi nivelado por baixo - mais garra, menos técnica. O campo encharcado - a chuva, de novo - fez as pernas pesarem e as chances rarearam. No fim, o sorriso amarelo dos santistas mostrou que o placar poderia ter sido ainda melhor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.