Neymar se livra de punição no STJD

Em mais de três horas de julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o atacante Neymar ouviu várias reprimendas dos auditores para melhorar sua imagem e demonstrou constrangimento ao ocupar pela primeira vez a cadeira dos réus. Mas, no fim da sessão, respirou aliviado: levou apenas uma advertência por causa do desentendimento com volante João Marcos, do Ceará, durante partida disputada em 12 de setembro, no Estádio Castelão, em Fortaleza. Neymar pisou no pé do adversário e, depois, os dois discutiram. Com a absolvição do jovem craque, o Santos pode contar com ele para enfrentar o Cruzeiro hoje, às 18h30, na Arena Barueri.

Bruno Lousada, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

"A justiça foi feita. O tribunal está de parabéns", limitou-se a dizer Neymar, antes de pegar um táxi no centro do Rio, em meio aos olhares de muitos curiosos, e seguir para o Aeroporto Santos Dumont, de onde retornou para São Paulo.

Ao chegar ao tribunal, por volta das 14 horas, vestindo boné preto e um blazer da mesma cor, o atacante parecia incomodado com todo o ritual do STJD. Acompanhado por um segurança, Neymar se acomodou numa pequena sala anexa ao plenário e sofreu o primeiro assédio: o menino Gabriel Zanon, de quatro anos, filho de uma funcionária do STJD, lhe pediu um autógrafo. Ganhou um abraço e ficou todo feliz.

O pai do menino, Antônio Zanon, advertiu o craque: "Meu filho nem conseguiu dormir ontem à noite quando soube que você viria ao tribunal. Ele deita todo dia com seu bonequinho. Olha o tamanho da responsabilidade." Neymar balançou a cabeça, em sinal de concordância.

Clima tenso. Durante o julgamento, os quatro auditores da Quarta Comissão Disciplinar do STJD questionaram Neymar sobre seu comportamento naquele jogo. Foram incisivos e, algumas vezes, duvidaram das respostas do atleta. Nervoso, o atacante do Santos demonstrou irritação e chegou a desafiar o relator do processo, Roberto Teixeira, quando indagado sobre suas últimas polêmicas.

"Te respondo em off. A gente conversa sobre isso pessoalmente". Teixeira ficou contrariado e rebateu: "É verdade que você disse para um adversário, em campo, que era milionário?" A réplica de Neymar veio na mesma velocidade com que conduz a bola do meio para o ataque.

"Já dei coletiva e falei sobre isso". Roberto Teixeira foi o único dos quatro auditores que votou pela suspensão do craque por dois jogos. No fim do julgamento, Teixeira afirmou que "Neymar ainda não está pronto para a ascensão que teve".

A presidente da Comissão, Renata Quadros, também aproveitou para criticá-lo. "Parabenizo a conduta do Marcel (atacante do Santos, também julgado e absolvido por incidente com policiais no Castelão), a do João Marcos e um dia quero parabenizar a sua". Na saída do prédio, um dos auditores fez um comentário que deve servir como alerta para Neymar: "Se voltar aqui, está ferrado".

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