Wander Roberto/Divulgação
Wander Roberto/Divulgação

Neymar tem mais uma chance para brilhar na seleção brasileira

Normalmente apagado na seleção, craque santista tenta ter melhor sorte contra a Itália

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2013 | 02h08

GENEBRA - Neymar está sendo tratado com um carinho todo especial na seleção brasileira. Não foi escalado para entrevistas antes da partida desta quinta-feira porque é sempre muito solicitado e a CBF decidiu "preservá-lo". O presidente do Barcelona, Sandro Rosell, também. Foi convidado para ver as partidas contra Itália e Rússia, mas declinou, numa tentativa de evitar os comentários sobre a transferência do craque para o clube catalão. E, nesta quinta, o pai de Neymar desembarca em Genebra em companhia de um assessor para dar todo o suporte necessário ao filho.

Melhor jogador em atividade no futebol brasileiro, Neymar sabe que ainda está devendo na seleção. Domingo, no aeroporto de Cumbica, ao embarcar para se apresentar a Luiz Felipe Scolari, admitiu em conversa presenciada pelo Estado: "Preciso crescer na seleção, fazer grandes jogos para chegar bem na Copa das Confederações e na Copa do Mundo." Ele tem consciência de que na Europa ainda é visto por muita gente como apenas uma promessa, e há até os que o consideram um jogador comum.

Na partida anterior da seleção, quando não teve grande atuação, o meia inglês Barton disse que o santista é "superestimado"'. Alguns jogadores ingleses afirmaram que não o conheciam, e até o jornal The Guardian ironizou a idolatria brasileira a um "jogador comum".

A pressão existe, mas Neymar procura não se deixar abalar. Nos treinos, embora não se mostre brincalhão como quando está no Santos, parece se sentir à vontade. No hotel, dorme bastante, joga videogame, mas também é definido como "divertido" e "boa companhia" nos momentos em que os jogadores estão juntos.

"Tanto o ambiente do Santos como o da seleção são bons. A diferença é que no Santos o convívio é diário, e na seleção o tempo é curto e precisamos trabalhar muito para evoluirmos rapidamente", diz.

Ele tem em Felipão, além de um técnico, um admirador que o defende de desconfianças e de críticas, como a de alguns treinadores que o rotularam como "cai-cai". "No Brasil, parece que quem é bom causa mal-estar em algumas pessoas. O Neymar sofre no mínimo 10 faltas por jogo. Uma ou outra pode até não ter sido cometida, mas ele cai, é normal. No entanto, os técnicos preferem dizer que ele simula. É mais fácil", disse Felipão recentemente.

O técnico disse ainda que sob seu comando Neymar tem liberdade para driblar e criar. "É assim que ganharemos."

A confiança de todos na seleção também aumenta a responsabilidade do atacante de 21 anos. Agora, contra a Itália, na seleção que tem como característica a forte marcação ele pretende começar a pagar a dívida. Do contrário, fará a desconfiança e a pressão sobre si aumentarem.

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