Neymar vira tormento para Dunga

Até José Serra, pré-candidato à presidência da República, e o presidente do STF, Gilmar Mendes, engrossam coro pelo garoto na seleção

, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

Quando venceu as Eliminatórias e garantiu a classificação da seleção brasileira para a Copa do Mundo da África do Sul, o técnico Dunga achava que sua vida seria tranquila até o dia 11 de maio, data da convocação final para o Mundial. Porém, as exibições do garoto Neymar, do Santos, neste primeiro semestre acabaram com o sossego do treinador. Durante a semifinal do Campeonato Paulista, contra o São Paulo, a sensação santista provou para seus críticos que também desequilibra em partidas decisivas, tensas. Resultado: fez a pressão por sua convocação chegar a vários segmentos da sociedade.

Mesmo envolvido na correria de uma campanha presidencial, o ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra, não se conteve. Palmeirense declarado, Serra não só defendeu a convocação de Neymar como gostaria de ver o ataque alvinegro como base do time brasileiro. "Vou arriscar aqui. Eu acho que deveria deixar o Ganso, o Neymar e o Robinho juntos, porque eles já estão entrosados. Eles jogam de forma alegre", argumentou, em entrevista à Rádio Itatiaia.

A terceira geração dos Meninos da Vila tem encantado de tal forma a população que Serra não vê problema em opinar sobre futebol, assunto tão delicado para os brasileiros. "O Santos está jogando gostoso. Tem algo no DNA do Santos que, vira e mexe, eles ficam bons. Um futebol bonito que não dá para ter raiva, da mesma forma que era na época do Pelé", explicou.

Acostumado a tomar decisões sob pressão, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, deu "conselho" para Dunga. "Eu levaria o Neymar para a seleção", afirmou. Mas o ministro não se esqueceu de fazer uma ressalva. "Aqui estou falando como torcedor."

Boleiros. Zico é uma das maiores autoridades de todos os tempo para falar de seleção brasileira. E, com esse prestígio, o craque não esconde de ninguém que é defensor da presença da revelação do Santos entre os 23 convocados para o Mundial. "Atletas com esse potencial não nascem todos os dias", afirmou. "Além do mais, é tradição na seleção ter algum jovem no grupo da Copa. Veja exemplos recentes. Foi assim com o Ronaldo (Copa de 1994) e com o Kaká (2002).

Para dar razão ao dramaturgo Nelson Rodrigues, autor da frase "toda unanimidade é burra", ainda há aqueles que não concordam com a convocação. Um deles é o ex-jogador e ex-treinador da seleção Mário Jorge Lobo Zagallo. "O Neymar não foi testado com a camisa amarela", argumentou o tetracampeão do mundo. "Claro, ninguém discute que se trata de um grande jogador, um craque. Mas deveria ter sido testado antes."

Dunga não dá indícios de que pode chamá-lo. E, assim, terá de lidar com uma grande pressão. / COLABOROU EDUARDO KATTAH

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