Neymar, xodó da torcida e mina de ouro do clube

Diretoria espera ganhar prestígio e muito dinheiro com a jovem promessa, que deve seguir os passos do amigo Robinho

Sanches Filho, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Paulo Henrique Ganso é o cérebro, Robinho, um dos melhores atacantes do mundo e com presença assegurada na seleção brasileira para a Copa, mas o maior xodó da torcida santista é mesmo Neymar. E não sem razão.

Na terra do futebol, onde jogam Ronaldo Fenômeno, Adriano Imperador, Vagner Love, Fred, entre outros astros internacionais, o nome mais comentado da semana foi o do garoto de 18 anos. Até mesmo fora do País.

Algumas das figuras mais ilustres do passado recente do futebol brasileiro defendem abertamente a convocação de Neymar para o Mundial, daqui a 54 dias. O jornal Marca, da Espanha, o chamou de "Messi brasileiro", além de afirmar que o Real Madrid segue seus passos e deve contratá-lo ainda neste ano para a próxima temporada. O Santos esnoba os interessados e promete usá-lo em seu projeto de recuperar o prestígio internacional.

Mesmo sem o brilho costumeiro, Neymar foi decisivo no clássico contra o São Paulo, no domingo passado, ao fazer a assistência perfeita para o gol de André. Mas não o bastante para agradar o técnico Dorival Júnior.

A resposta o garoto deu em campo, três dias depois, marcando cinco dos oito gols da vitória santista por 8 a 1 sobre o Guarani, na Copa do Brasil. Marca que Robinho ainda não tem.

"Neymar é melhor do que Robinho quando tinha a idade dele", disse Betinho, então treinador do juvenil do Santos, após um treino no Clube Portuários, em 2005, dias depois da venda de Robinho por US$ 30 milhões ao Real Madrid. "Com certeza, dentro de pouco tempo ele será o sucessor de Robinho, seguirá para o exterior e vai ser eleito o melhor do mundo", emendou.

E Neymar vem confirmando com folga que é uma aposta vencedora. Com um ano como profissional, já soma 33 gols em 69 jogos - o de hoje será o 70.º - com a média de 0,48. Com o mesmo número de jogos entre 2002 e 2003, Robinho marcou apenas 18, média de 0,26, embora haja entre ambos uma grande diferença. Na sua primeira participação numa grande decisão, com o Morumbi transbordando de corintianos, Robinho perdeu a companhia de Diego, contundido, no começo do jogo, assumiu a responsabilidade e foi o maior responsável pela conquista de um título de expressão, o Campeonato Brasileiro de 2002, depois de 18 anos. E logo contra o arquirrival Corinthians, deixando para a história a sequência de pedaladas em cima do atônito Rogério, que cometeu o pênalti.

Mas, se no momento quem dá bola é Neymar, no segundo semestre do ano passado o garoto passou por momentos difíceis. Foi mandado para a reserva, chamado de Filé de Borboleta por ser franzino e aconselhado a cumprir as etapas necessárias de sua carreira, como jogar na seleção sub-17, enfrentando zagueiros de sua idade. O exílio durou pouco. A poucas rodadas do encerramento do Campeonato Brasileiro, o Santos figurava como um dos candidatos ao rebaixamento e Neymar recuperou a posição que havia perdido.

Com a chegada de Dorival Júnior ao Santos no começo do ano, não se ouviu mais falar em dietas milagrosas para que ganhasse massa muscular. E, apesar de caçado por zagueiros nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista, suportou a pancadaria. "Ele é um jogador pronto e excepcional, o melhor do Brasil na atualidade", define o treinador.

E para quem duvida do que o artilheiro santista (19 gols na temporada) poderá fazer hoje, Dorival Júnior lembrou. "Ele já mostrou do que é capaz nas semifinais do ano passado e essa não é a primeira decisão dele."

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