Bob DeChiara/USA Today
Bob DeChiara/USA Today

NFL usa tecnologia e medicina de ponta para cuidar da saúde de seus atletas

Liga de futebol americano tenta diminuir os impactos do esporte e até regras são mudadas nesta direção

Wilson Baldini Jr., enviado especial a Miami, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2020 | 06h04

Em agosto do ano passado, Andrew Lucky, do Indianapolis Colts, um dos quarterbacks mais talentosos da NFL, anunciou, aos 29 anos, a sua aposentadoria por não suportar tantas dores espalhadas pelo corpo. Tudo isso porque o futebol americano é um esporte de muito contato, no qual as armaduras, que fazem lembrar as usadas pelos gladiadores na Roma antiga, muitas vezes não impedem lesões graves nos jogadores.

À procura de mais proteção para seus atletas, a NFL usa da tecnologia e da medicina para tornar o esporte mais seguro. Qualquer contusão pode acabar com a carreira de um jogador, mas as pancadas na cabeça são a maior preocupação. Em 2017, um estudo publicado pelo Journal of America Medical Association revelou que 110 de 111 cérebros doados por ex-jogadores da NFL tinham problemas cerebrais. A maioria apresentava sinais de Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), também conhecida como demência pugilística, pois começou a ser estudada nos praticantes de boxe.

Na tentativa de diminuir o número de casos de lesão a NFL impôs mudanças na regra do jogo, como proibir,a partir do ano passado, qualquer contato com o oponente por meio de qualquer contato com o capacete. Essa alteração foi motivada após Ryan Shazier, do Pittsburgh Steelers, sofrer grave contusão na coluna em 2018. Naquele ano, 291 concussões cerebrais foram registradas na temporada.

Desde 2013, está em vigor o "protocolo de concussão", que se trata de um conjunto de medidas para se identificar problemas cerebrais após um forte contato. Um atleta atingido de forma intensa é levado para fora do campo. Na sequência, ele passa por um rápido exame, feito por um médico sem ligação com as equipes. Caso haja suspeita de concussão, o atleta é conduzido ao vestiário e novos exames vão apontar o diagnóstico. Em caso positivo, o jogador não voltará a campo. Caso contrário, poderá retornar, mas será monitorado até o fim da partida.

* Repórter viajou aos EUA a convite da ESPN, transmissora oficial da NFL

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.