Reprodução/Instagram/@nicolasmassao
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Nicolas Ferreira, 'esgrimista por acaso', estreia nesta segunda no Pan

Atleta diz que a modalidade foi o 'melhor acidente' em sua vida após não ter se dado bem na natação

Paulo Favero, enviado especial a Lima, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 04h30

Nicolas Ferreira brinca dizendo que a esgrima foi o "melhor acidente" em sua vida. A mãe do rapaz era professora de natação em um colégio e ele cresceu nesse ambiente, mas nunca se deu bem. Quando tinha 9 anos, o menino disse para a mãe que não queria se molhar e que não aguentava mais. Acabou deixando as piscinas, mas sabia da importância de praticar esporte.

"No ginásio do Ibirapuera tinha vários esportes gratuitos para a comunidade, incluindo a esgrima. Quando fui fazer inscrição, nem sabia o que era. Minha mãe falou que achava que era com espada e isso foi suficiente para me encantar. Comecei lá, em 2002, aos 10 anos, e depois de três anos joguei uma competição no Pinheiros e ganhei no infantil. Foi aí que o clube me chamou para ser atleta deles e a brincadeira ficou séria", conta.

Nesta segunda-feira, ele estreia nos Jogos Pan-Americanos na mesma arma que se encantou lá atrás, a espada. E se mostra bastante confiante. "A medalha não é só um sonho, mas uma realidade muito possível. Na última edição em Toronto eu perdi para um americano por 15 a 12, sendo que chegou a ficar 12 a 12 no final do combate. Agora estou quatro anos mais experiente. Sem contar que nos Campeonatos Pan-Americanos de esgrima eu tive o melhor resultado da história da espada masculina, fui vice-campeão, então a chance é clara."

O atleta nasceu numa família de praticantes do budismo e isso é a base de sua vida. Nicolas explica que e objetivo básico é atingir o estado de Buda, e que uma tradução possível seria atingir a iluminação. "Seria como tomar as melhores decisões nos momentos cruciais. Se pensarmos na esgrima, em que numa fração de segundos é preciso tomar a decisão correta, a mais acertada. O budismo e a esgrima andam em paralelo para mim. Durante a competição fico orando mentalmente", contou.

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Nicolas explica que está em sua melhor forma física. Aos 26 anos, ele vai se formar neste ano em Engenharia de Produção no Mackenzie e agradece à universidade pela bolsa de estudos integral que recebeu. "A vida de atleta não é nada fácil, a de estudante também não é, e as duas coisas juntas é bem complicado. Sei que não tenho como me aposentar como atleta. Pode ter uma lesão, um resultado inesperado pode fazer os patrocínios caírem, então é necessário ter um plano B."

O relacionamento próximo com seus professores ajuda no momento de retomar os estudos após ausências por casa de viagens para competições. "Faço faculdade de manhã, treino à tarde e estudo de madrugada em semana de prova. Isso já faz parte de uma rotina", disse o esgrimista, que espera conquistar uma medalha com sua espada. "Numa competição tão curta como o Pan, tudo pode acontecer. Então é preciso entrar bem, confiante e vibrando a cada toque para chegar lá."

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