Paulo Pinto/AE
Paulo Pinto/AE

Ninguém comemora no Pacaembu

No 0 a 0 na primeira partida da decisão, Corinthians e Santos lamentam chances perdidas; Ganso sofre lesão muscular e vai parar por pelo menos 30 dias

Fábio Hecico e Sanches Filho, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Um dormiu lamentando as chances claras desperdiçadas, como a bola na trave de Liedson e as duas finalizações de Bruno César na frente de Rafael, uma por cima e outra nas mãos do goleiro. O outro voltou para casa com o sentimento de que poderia ter uma vantagem ainda maior do que apenas decidir em sua casa, a Vila Belmiro, domingo, caso uma das duas bolas na trave de Neymar ou o toque por cobertura de Danilo balançassem a rede corintiana. Numa partida digna de final, disputada lá e cá, ora marcada pelo poder defensivo, ora pelas boas chances de gols, o 0 a 0 não refletiu o que Corinthians e Santos fizeram ontem no Pacaembu. Os quase 37 mil torcedores presentes mereciam ter soltado o grito de gol.

O Santos ainda tem a lamentar a lesão muscular de Paulo Henrique, que o deixará de 30 a 45 dias longe dos gramados.

Agora a decisão vai para a Vila Belmiro, onde o Santos costuma não dar chances a seus adversários. Com a força da torcida, entra como favorito à 19.ª taça. Por outro lado, o Corinthians tem boa recordação do estádio, onde fez 3 a 1 em 2009 e praticamente selou a conquista do Estadual - depois, deu a volta olímpica com 1 a 1 em seus domínios. Quem ganhar no domingo será campeão. O empate leva a decisão para disputa de pênaltis.

Apesar de ter a vantagem de atuar no seu templo sagrado, o Santos não poderá dedicar-se à final apenas. Hoje, às 13 horas, embarca para a Colômbia, onde na quarta-feira desafia o Once Caldas pela Libertadores.

Sem compromisso no meio da semana, o Corinthians vai se dedicar a encontrar o melhor esquema para segurar o ataque santista - e seu endiabrado Neymar, ontem o melhor em campo, elétrico principalmente após receber o cartão amarelo. E, ao mesmo, estudar um meio de furar o paredão defensivo do oponente, há cinco jogos sem levar gol.

A recíproca também vale para o Santos, já que o Corinthians é a segunda defesa menos vazada da competição e marcação é a principal virtude das equipes de Tite, sempre competitivas e fortes na retaguarda.

"A decisão está aberta. Eles conseguiram segurar o empate aqui, jogam em casa, têm pequena vantagem, mas também temos chances de ganhar na Vila", disse o goleiro Júlio César. "Poderíamos ter vencido, pois as melhores chances, as mais claras, foram nossas no segundo tempo. Agora, temos de aproveitar o fato de jogar ao lado de nossa torcida", rebateu o zagueiro Edu Dracena.

Pé fora da forma. O Corinthians não fez valer o fato de jogar ao lado de sua torcida e demonstrou ansiedade na hora de chutar a gol. Por muitas vezes os mandantes, sem espaço, chutaram a bola em cima dos zagueiros. As chances mais claras caíram nos pés de Bruno César, duas vezes na cara de Rafael.

Do lado santista, também faltou melhor pontaria. Neymar fez boa partida, mas saiu pedindo desculpas por não caprichar quando esteve na frente de Júlio César. Parou na trave corintiana por duas vezes.

Pelo que se viu, a taça ficará com quem tiver mais sangue frio no momento da finalização contra o gol adversário. Certeza, apenas, a de que não faltará emoção domingo em Santos.

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