Ninguém quis ganhar

Felipão não escalou o volante Chico por causa de Rivaldo. Fosse pelo camisa 10 do São Paulo, melhor seria ter Márcio Araújo, mais rápido do que o alto cabeça de área que veio do Atlético-PR. Felipão quis ter Chico para aumentar a altura de sua defesa. Mas como Chico era o primeiro volante, uma de suas missões era marcar Rivaldo. Pois quando o Rivaldo dominou a bola aos 40 minutos do primeiro tempo, Chico não estava no seu encalço e Marcos Assunção vinha dois passos atrasado. A defesa do Palmeiras ficou mais alta... e mais lenta. O passe de Rivaldo permitiu a Dagoberto fazer 1 x 0.

Paulo Vinicius Coelho, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

Só depois disso, Felipão decidiu tirar Márcio Araújo que, escalado como meia, recusou-se a atacar. Trocou-o por Maikon Leite enfiado, junto com Kleber, na defesa são-paulina de três zagueiros. O Palmeiras não ganhou criatividade, mas passou a jogar mais perto da área de Rogério Ceni. A arapuca em que caiu o São Paulo foi parar o jogo com faltas e escanteios. Se o Palmeiras não botou fé no velhinho Rivaldo, o Tricolor se esqueceu que os cruzamentos do outro senhor, Marcos Assunção, são a única arma competente do ataque verde.

A diferença do primeiro para o segundo tempo é que na segunda etapa, de predomínio palmeirense, a marcação estava acertada dos dois lados. Com três zagueiros atrás de si, Piris se mandava como lateral. Em vários momentos, Luan não o acompanhou e obrigou Rivaldo, o lateral, a largar Dagoberto. Do outro lado, Fernandinho não acompanhava Cicinho e o palmeirense tinha espaço.

A preocupação era evitar a derrota, evidente na opção de Adilson por três zagueiros e de Felipão por Márcio Araújo como meia. A falta de ambição afastou o Palmeiras do Botafogo, na briga pela Libertadores. E tirou o Corinthians do alvo são-paulino.

 

  

JOGADA ENSAIADA

Refém do sistema. Que Tite goste de jogar no 4-2-3-1, com dois homens abertos pelos lados do campo e Alex centralizado, tudo bem. Funcionava melhor no início do Brasileirão, com Danilo no meio, Jorge Henrique e William pelos lados. Mesmo naquele tempo, cabia a pergunta: se o Corinthians tem dois meias como vários clubes sonham, por que não os escala na posição deles?

Danilo tem se esfolado para cumprir bem sua função, pelo lado direito do campo. Boa parte das vezes, faz bem seu papel. Mas falta um pouco da movimentação que o 4-4-2, com dois volantes, dois meias e dois atacantes, costumava dar aos times brasileiros nos anos 90.

De repente, todo mundo resolveu copiar o 4-2-3-1. Com dois meias e dois atacantes circulando, a preocupação da defesa adversária poderia aumentar. Isso deveria valer para a zaga do Figueirense, sábado à noite, no Pacaembu.

O Figueirense marcou Paulinho, Danilo, Alex e ganhou o jogo como visitante.

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