Niterói recebe neste sábado etapa do Mundial de Salto de Penhasco

Competição, realizada pela primeira vez na América do Sul, contará com dois brasileiros

MARCIO DOLZAN, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2013 | 06h00

SÃO PAULO - Vinte e sete metros separam José Wilker Fonseca do Nascimento do anonimato para as telas de TV do Brasil. Essa é altura da plataforma que ele e Jucelino Alves terão que saltar na manhã deste sábado, na praia de Icaraí, em Niterói, na etapa brasileira do Mundial de Salto de Penhasco - também conhecido como cliff diving. A competição será realizada pela primeira vez na América do Sul e reunirá quatorze competidores de diversas partes do mundo.

O esporte não é exatamente do tipo que qualquer um pode praticar e até por isso chama a atenção. "A primeira vez no salto sempre dá medo. Já saltei de 25 metros em shows, mas agora surgiu a oportunidade de saltar os 27 metros no cliff diving", conta José Wilker, que ganhou o nome porque sua mãe, dona Rosilene, é fã do ator de telenovelas.

SALTOS

O cliff diving é uma variação radical dos saltos ornamentais, uma das competições olímpicas. A plataforma, porém, tem três vezes a altura daquela vista em Olimpíadas, sendo que as acrobacias devem ser feitas em apenas três segundos, o tempo que leva a queda dos 27 metros - a velocidade pode chegar a 85km/h.

Apesar do nome do evento, o salto nem sempre parte de um penhasco. Há provas a partir de pontes, edifícios ou outros tipos de estrutura. Em comum, apenas o fato de a queda ser diretamente na água, sem nenhum tipo de proteção. "A dor é como se fosse o impacto de um carro se chocando com você", compara Jucelino Alves. "A primeira vez que competi eu tive um acidente em que quase rompi os ligamentos dos dois joelhos, na France La Rochelle."

Ambos paraenses, Wilker e Alves ganham a vida em shows mundo afora. Os dois moram na China e trabalham em diferentes companhias de circo, onde atuam com apresentações de saltos ornamentais em plataformas de 25 metros. A rotina de treinos é intensa e inclui preparação física em academias. As apresentações costumam ser diárias.

Há anos longe de casa, a dupla pretende fazer bonito em Niterói. "Espero primeiro me classificar, depois ficar entre os três primeiros e, quem sabe, ganhar a competição", diz José Wilker. "Nunca me apresentei no Brasil e quero repetir o que faço quase todos os dias onde trabalho, mas buscando uma medalha", afirma Jucelino Alves, que também revela um sonho. "Minha meta são os Jogos Olímpicos de 2020."

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