Jonne Roriz/AE - 19/10/2011
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No Brasil até a Olimpíada, Thiago Pereira busca força e 'economia' por medalha

Nadador deixa os EUA para treinar na equipe montada por César Cielo

Valéria Zukeran, Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2011 | 23h00

 SÃO PAULO - Thiago Pereira anunciou oficialmente ontem uma decisão de risco. Deixar os Estados Unidos para fazer a preparação para a Olimpíada de Londres no Brasil, na equipe PRO 16, ao lado do campeão olímpico Cesar Cielo e do técnico Alberto Silva. O objetivo continua: buscar a medalha olímpica que teima em escapar.

Nos Jogos de Atenas o nadador do Corinthians ficou quinto lugar na prova dos 200 metros medley e quatro anos depois, na mesma prova, em Pequim, ficou em quarto.

"Para chegar a uma grande coisa há um risco então eu resolvi arriscar. Sei que está bem perto da Olimpíada mas sou um cara que se adapta rápido a qualquer programa, qualquer tipo de treinamento, por tudo o que vivi na natação", explica Thiago ao falar da mudança.

O nadador conta como foi o processo decisório. "Acabou o Mundial e eu vim para cá. Queria passar um tempo no Brasil e acabei estendendo do Troféu José Finkel para o Pan-Americano." Na ocasião, experimentou treinar com Albertinho, em São Paulo. "Eu não estava acostumado, mas ele usa muito o trabalho de força, paraquedas dentro d'água, parte de musculação bem intensa, e era uma coisa que eu sempre deixei um pouco de lado", detalha. "Acho que pode ser um diferencial."

Thiago conta que as seis medalhas de ouro obtidas nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara - as quais fizeram dele o brasileiro com maior número de vitórias no evento, 12 ao todo - tiveram pouca influência na mudança. "Na verdade já havia resolvido antes de viajar para o México, mas mantive segredo porque queria transmitir a decisão pessoalmente e em primeiro lugar para o Dave (Dave Salo, seu treinador em Los Angeles). Não queria que ele soubesse pela imprensa. Gosto de sair e deixar a porta aberta." O rompimento, segundo o nadador, foi amistoso.

Em Los Angeles, Estados Unidos, Thiago trabalhou com fundistas, como o medalha de ouro nos 1,5 metros como o tunisiano Oussama Mellouli. No Brasil, treina ao lado de velocistas como Cielo e já começou a absorver um pouco do estilo dos nadadores das provas curtas, o que considera saudável. "A gente compete o tempo todo. Por exemplo: outro dia fizemos exame de porcentual de gordura e ficamos comparando... Mas, lógico, também existem diferenças. Se eles fazem uma certa série (número de passagens pela piscina), eu posso ter de fazer o mesmo exercício o dobro de vezes." Mudança. Albertinho explica como vai preparar Thiago, a quem considera "um craque".

Em primeiro lugar, elegeram a prova dos 200 metros medley como prioridade, embora a participação em outras não esteja descartada.

E vão investir em alguns fundamentos. "A gente quer o Thiago virando mais rápido, saindo da troca de nado mais forte", explica.

O trabalho de força será intensificado mas não haverá mudança radical no corpo do atleta. "A gente não quer mudar a constituição do Thiago.

Quer acrescentar nas qualidades dele outras qualidades que ele não tem ou não estão muito desenvolvidas", explica Albertinho. "O que isso pode trazer? Uma economia de nado. Se ele dava 28 braçadas para fechar a prova vamos trabalhar para fechar em 26. Ele fica mais forte dentro da técnica."

Para o técnico, esta é parte da tática para melhorar o desempenho no fim das provas, onde Thiago perde desempenho por causa da acidose alta - excesso de ácido lático nos músculos.

A outra, segundo ele, é repensar a distribuição do esforço durante a competição. Albertinho ainda não decidiu, por exemplo, se ele terá um início de prova 'forte' ou vai economizar para dar um sprint final. Vai analisar Thiago e seus principais adversários na busca de um melhor aproveitamento do brasileiro em todas as fases da prova.

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