No deserto, o que está ruim pode ficar ainda pior

Prova tem sido das mais difíceis, mas Brasil conta com representante entre os melhores colocados na categoria carros

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2011 | 00h00

O dito popular "pior do que está não fica" não vale para o Rali Dacar. O brasileiro Guilherme Spinelli (Mitsubishi) garante que esta edição da prova tem sido a mais difícil entre todas as que disputou na Argentina e no Chile. O desgaste dos competidores tem sido tanto que a oitava etapa, ontem, entre Arica e Antofagasta, em território chileno, teve a segunda parte de seu trecho cronometrado de 631 quilômetros no Deserto do Atacama (839 no total) suprimida por causa das dificuldades enfrentadas pelos pilotos nos dias anteriores para cruzar a linha de chegada.

Ontem, o vencedor entre os carros foi o catariano Nasser Al-Attyiah (Volkswagen), que concluiu a etapa de 273 quilômetros cronometrados em 2h40min57 e está a apenas 1min22 do líder da classificação geral e companheiro de equipe, o espanhol Carlos Sainz, que ontem foi o segundo. Entre as motos, a vitória foi do chileno Francisco López (Aprilia). O espanhol Marc Coma (KTM), que chegou em terceiro, é o líder da classificação geral.

O Brasil tem feito bom papel, apesar de dois desfalques na sexta-feira, quando José Helio (BMW) sofreu um acidente com sua moto e quebrou a clavícula e André Azevedo (Tatra) teve problemas no câmbio de seu caminhão - ambos tiveram de voltar mais cedo para casa. O destaque tem sido Guilherme Spinelli, que ontem chegou em oitavo e está na sétima posição na classificação geral entre os carros.

Surpresa. "Nem esperava ficar entre os dez primeiros, já que as equipes oficiais (das montadoras) contam com carros a diesel, com performance bem melhor do que os movidos a gasolina, como o meu", conta o brasileiro. "Além disso, a prova deste ano tem sido a mais difícil entre todas as que participei. Temos enfrentado um acúmulo de situações difíceis em um mesmo dia como nunca antes, e o pior ainda está por vir", garante Spinelli.

Ele lembra que o dia de ontem, somado aos de hoje e de amanhã - com percursos no Atacama - serão os mais desafiantes de todo o rali. Felizmente, segundo ele, seu navegador, Youssef Haddad, tem feito um trabalho "impecável" nos trechos de GPS fora de estrada, o que tem contribuído para o bom desempenho da dupla no deserto.

Outros brasileiros também estão na briga por posições. Entre as motos, Jean Azevedo (KTM)está em 12.º na classificação geral e Vicente de Benedicts em 80.º. Entre os carros, Marlon Koerich (Mitsubishi) está em 15º.

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