Divulgação/ FFR
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No dia da luta contra a LGBTfobia, rúgbi na França aceita atletas transgêneros em torneios oficiais

'Chegou a hora de a prática do rúgbi ser condizente com a vida que cada um escolhe e não com a que foi atribuída', afirma a Federação Francesa de Rúgbi

AFP, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2021 | 11h14

Conforme anunciado nesta segunda-feira pela Federação Francesa de Rúgbi (FFR), atletas transgêneros poderão ingressar em times e participar de todas as competições oficiais da temporada. Coincidindo com o dia mundial de combate à homofobia, transfobia e bifobia, o órgão dirigente do rúgbi francês considerou que "chegou a hora de a prática do rúgbi ser condizente com a vida que cada um escolhe e não com a que foi atribuída. A FFR decide que pessoas com identidade trans, transexual e transgênero podem participar de todas as competições oficiais da modalidade."

Pessoas trans que passaram por um processo de redesignação de sexo físico podem competir em torneios oficiais se tiverem reconhecimento administrativo. Mulheres trans (homens nascidos) "não operados" terão de certificar que "estão em tratamento hormonal há pelo menos 12 meses" e que não ultrapassam o limite de 5 nanomols por litro de nível de testosterona. Por outro lado, homens trans (nascidos do sexo feminino) não precisam atender a essa condição.

Uma comissão ficará encarregada de estudar cada caso no prazo de dois meses "para analisar injustiças de porte acima da média com uma perspectiva de inclusão", explicou a FFR. Apesar do fato de a Federação Internacional de Rugby ter "recomendado" que mulheres trans não jogassem torneios de alto nível ou internacionais em razão "da segurança e igualdade (não poderem) ser garantidas" para mulheres não trans, a entidade permitiu mais flexibilidade às federações nacionais em competições amadoras.

A FFR vai além e se torna a primeira federação esportiva francesa a incluir atletas transgêneros em seus regulamentos oficiais. O debate sobre a participação de mulheres trans no esporte de elite está aberto, com casos como o da halterofilista neozelandesa Laure Hubbard, que poderia disputar os Jogos de Tóquio-2020, segundo o comitê olímpico de seu país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o assunto é objeto de debate em vários estados, como Idaho, que proibia por lei a participação de mulheres trans em esportes universitários. A regra foi objeto de recurso.

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