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No Fla, Adriano fala em última chance

Apresentado no clube, atacante admite erros do passado e garante que está comprometido; deve estrear em um mês

LEONARDO MAIA / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h04

O discurso é o mesmo de tantas outras vezes. A cada deslize, a cada confusão, a cada recomeço, lá estão Adriano e suas promessas: um novo rumo em sua vida pessoal e em sua carreira. Foi assim novamente ontem, ao falar pela primeira vez desde que assinou contrato para ser o camisa 10 do Flamengo. Um penitente Imperador, admitindo equívocos cometidos e dizendo-se determinado a começar uma reviravolta. "Tenho que ter comprometimento. Não posso errar mais. Esta é minha última chance. Se não der certo, vou ter que me afastar (do futebol)."

Com o rosto rechonchudo, o sorriso característico que lhe cerra os olhos, o Imperador vestiu a camisa com a qual diz se sentir melhor, ladeado pela presidente Patricia Amorim, o vice de futebol, Paulo Cesar Coutinho, e o diretor executivo Zinho. Diante deles, garantiu empenho para cumprir horários e obrigações.

"Nunca neguei meus erros. Tive grande parte de culpa nisso tudo", disse o Imperador, referindo-se aos últimos dois anos, quando passou mais tempo se recuperando de lesões graves do que em campo.

Apesar de ter sido uma sombra de si mesmo desde que deixou o Flamengo, em 2010, para passagens frustradas por Roma e Corinthians, a figura de Adriano ainda mobiliza. Atestado pela enorme quantidade de câmeras e jornalistas, na improvisada "sala" de imprensa no centro de treinamento do Ninho do Urubu. "Eu sei da pressão que existe sobre mim. Mas nunca me considerei o 'Imperador'. Sou humilde. Nunca gostei disso."

Colegas. De volta ao Flamengo, Adriano vai reencontrar amigos, como o lateral Leonardo Moura e Vagner Love, com quem formou irresistível dupla no primeiro semestre de 2010, batizada de "Império do Amor" pelos torcedores rubro-negros.

O atacante tem certeza de que será bem recebido de volta e não acredita que eventuais deslizes possam minar o relacionamento com os companheiros. De fato, Adriano costuma conquistar o carinho dos colegas por onde passa, apesar dos pesares.

"O Adriano só traz problemas para ele mesmo. Nunca criei problema com ninguém. Não sei o que vai ser daqui para frente. Mas tenho que ter mais responsabilidade", comentou.

Zinho, cujo cargo lhe dá a prerrogativa e a dor de cabeça de cobrar e acompanhar os passos do atacante, não acredita que, com a contratação de Adriano, o clube vai repetir o fiasco vivido com Ronaldinho Gaúcho.

"Não comparo com o Ronaldo. Não estava aqui na época, mas sabia dos problemas de comportamento. Estou confiante que o Adriano vai cumprir suas obrigações. Vou dar apoio, mas vou cobrar. Ele não terá mais obrigações do que ninguém nem mais privilégios que ninguém. A estrela é o Flamengo."

No fim das contas, o acordo pode ser vantajoso tanto para o clube quanto para o jogador. O clube vai gastar pouco num primeiro momento, com Adriano recebendo um piso abaixo dos demais atletas de primeiro escalão, e mais bônus por jogos disputados e metas atingidas, como gols e títulos.

O contrato também é curto, até o fim do ano. Se até lá Adriano não se recuperar física e emocionalmente, o prejuízo rubro-negro será mínimo. Se o Imperador justificar o apelido novamente, como na campanha de 2009, quando foi campeão e artilheiro do Brasileiro, o retorno será enorme e um novo compromisso para 2013 pode ser feito.

Ainda fora de forma, Adriano precisa de no mínimo um mês para jogar. Assim, sua estreia poderá ser no jogo adiado do 1.º turno contra o Atlético-MG, dia 26 de setembro, em Volta Redonda.

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