No Flamengo, segredo é o gerenciamento moderno

Diretoria é profissional e as decisões são transparentes

, O Estadao de S.Paulo

28 de junho de 2009 | 00h00

O basquete é a maior referência do Flamengo atualmente. E não apenas pelos resultados obtidos em quadra. Um novo modelo de gestão, implantado a partir de fevereiro nos esportes olímpicos do clube, beneficiou principalmente o time de Marcelinho e companhia.Após suportar quatro meses sem receber, o que gerou crise e até ameaça de greve no início da temporada, a equipe rubro-negra vive agora com outra realidade. Está com os salários em dia e tem a promessa de que o prêmio de R$ 168 mil pela conquista do Nacional de 2008 será pago na próxima semana. A quantia a ser paga pelo título estadual de 2008 (R$ 115 mil) e do Sul-Americano deste ano (R$ 223 mil) vai vencer no fim do mês e existe a expectativa de que essa dívida seja sanada em breve. Ela até pode crescer hoje se o Flamengo for campeão do Novo Basquete Brasil (NBB). O prêmio pelo primeiro lugar é de R$ 223 mil. Para conferir a prestação de contas do time, basta acessar o site www.flabasquete.com. Estão lá as fontes de receita da modalidade, as despesas e a arrecadação do Flamengo nos jogos disputados no Rio, com prejuízo de R$ 33.718,19 - nessa conta não foram consideradas as últimas duas partidas do time na cidade (cerca de R$ 80 mil foram arrecadados)."O Flamengo não está gastando quase nada com esse site. É quase um Orkut. As pessoas exibem fotos, vídeos, criam comunidades e se comunicam com os jogadores e os dirigentes. Há mais de sete mil membros em apenas três meses", declarou o vice-presidente de esportes olímpicos João Henrique Areias, que assumiu o cargo em fevereiro.Só a venda da camisa Fla-basquete rendeu R$ 400 mil. O Flamengo faturou também R$ 400 mil do patrocínio da Cia. do Terno e mais R$ 100 mil do contrato de televisão e da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), informou o dirigente. "Colocamos em dia até as parcelas intermediárias de alguns atletas que estavam atrasadas. Pagamos oito salários em quatro meses", comentou. E como conseguiu isso? Com uma gestão profissional. Areias criou um Conselho Gestor e três coordenações: a área técnica, responsável pela montagem do time; a área de negócios, que cuida do marketing e comunicação; e a área econômica, responsável pelas finanças."Antes era o modelo tradicional. O vice-presidente chegava ao clube no fim da tarde para resolver tudo. É o amadorismo. Montei uma equipe com presença até do Ary Vidal (técnico de basquete) e da Mariana Brochado (ex-nadadora)", disse. "Trabalhamos em tempo integral e não tivemos salário. Foi doação."Segundo Areias, quando o time foi montado, sob custo de R$ 3 milhões por temporada, só o aspecto esportivo foi considerado. "Tanto é que, ao ficar sem dinheiro, o Flamengo não conseguiu mais pagar. Não houve planejamento das outras duas áreas (econômica e de negócios)."Apesar de garantir a continuidade da equipe na próxima temporada, o dirigente ameaçou sair do clube caso o Flamengo opte por voltar ao modelo antigo de gestão. "Aí vou fazer outra coisa."

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