No Inter, Falcão fala em espetáculo

Ídolo da torcida colorada, ex-camisa 5 é apresentado no Beira-Rio como novo treinador. ''Rei de Roma'' quer se divertir após afastamento de 15 anos

Carlos Alberto Fruet, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

PORTO ALEGRE

Sob o grito de 400 torcedores, Paulo Roberto Falcão chegou ontem ao Beira-Rio, na sua volta ao comando técnico do Internacional, exatamente às 16h30. Uma hora depois, na estrutura montada no vestiário para atender a imprensa, Falcão já deu a entender como quer ver o Inter jogando: ""Quero ver um espetáculo. Quando digo espetáculo, não quero dizer futebol irresponsável, mas sim um futebol leve. Vou me divertir com meus atletas. Isto é o que eu espero"".

A apresentação do ídolo, que teve a presença dos jogadores Tinga, Kléber, D"Alessandro, Bolívar e Rafael Sóbis, serviu para que o novo comandante colorado definisse, também, que seu objetivo principal é ganhar a Libertadores, um título que ele não tem: "Chamei alguns jogadores aqui que são algumas lideranças. Isso dá uma ideia do coletivo"", explicou o "Rei de Roma"".

Falcão estava afastado do trabalho de treinador havia 15 anos. Apesar do longo período, ele afirmou que não mudou muita coisa, mas que só o tempo poderá revelar se conseguirá o mesmo sucesso obtido dentro de campo: " Em relação aos 15 anos afastado, só o tempo vai dizer. Voltei aqui e me dei conta que o roupeiro é o mesmo, é o Gentil. Então não mudou muito. Quero conversar com os atletas, são jogadores vitoriosos"", disse. "Estou aqui com cinco campeões da América. Minha maneira de trabalhar é muito simples. O segredo é buscar o equilíbrio, que se consegue com jogadores de qualidade.""

As emoções que o futebol proporciona foram determinantes para o retorno de Falcão ao vestiário. Durante a entrevista, ele revelou que já sentia falta do ambiente de clube: "Esse é um momento histórico para mim. A gente não consegue viver sem adrenalina. E já estava sentindo falta disso.""

Futebol descontraído. Além de um futebol mais solto, o técnico defende um clima mais descontraído fora dele. Falcão destacou que ambientes pesados não combinam com o futebol e descartou mudar seu estilo sereno de ser. "O Falcão no vestiário é o mesmo fora, com muita cobrança, mas uma cobrança em que o ambiente tem que estar leve. No futebol, a coisa tem que ser mais leve, mas com respeito, hierarquia, participação. Futebol é importante, emprega tanta gente, mas não é uma guerra. Futebol é alegria"".

O novo comandante não deixou de falar da sua experiência como comentarista: "Como um homem de imprensa, por ser muito profissional, ser remunerado para dar opinião deixei minha relação com o Inter anestesiada. Agora isso muda. Estou do outro lado. Não significa estar contra, não. Mas estou do lado dos atletas, da instituição.""

PARA LEMBRAR

Um jogador de alto nível. Mas como treinador...

Paulo Roberto Falcão foi um ótimo jogador. Como treinador, porém, sua trajetória foi sofrível. De 1990 a 1995 aventurou-se por seleções e clubes, com pífios resultados.

Dentro de campo, Falcão brilhou. Volante clássico, técnico, de inteligência e visão de jogo ímpares, fez parte do esquadrão do Internacional - clube que o revelou - bicampeão brasileiro em 1975/76. Participaria da campanha do tri, invicto, de 1979.

No ano seguinte, foi para a Roma, onde se tornaria rei. Liderou, na temporada 1982/1983, o time na conquista de um scudetto após 40 anos e entrou no coração dos romanos. Encerrou a carreira em 1985, no São Paulo, já em baixa - foi reserva do apenas esforçado Márcio Araújo.

Pela seleção, disputou duas Copas, fez parte da ótima equipe de 1982, mas não teve nem sequer um título expressivo.

Como treinador, não teve brilho. Começou por cima, dirigindo a seleção brasileira. Assumiu após a Copa da Itália, em 1990, e caiu pouco mais de 10 meses depois, ao fim da Copa América de 1991 - o Brasil foi vice. Foram 17 jogos, com 6 vitórias, 7 empates e 4 derrotas.

No América do México foram quase dois anos e dois títulos: o da Copa Interamericana de 1991 e o Copa dos Campeões da Concacaf em 1992. Em 1993, assumiu o Internacional. A passagem foi rápida: 5 vitórias, 4 empates e 5 derrotas em 14 jogos. Entre 1994 e 1995 comandou a seleção do Japão, sem grandes resultados.

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