AFP PHOTO/GEOFF ROBINS
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No judô, Equador começa a colher frutos de seu trabalho

País passou a mesclar o estilo japonês e o cubano em seus treinos

Paulo Favero, enviado especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 07h00

O Equador foi a grande surpresa da disputa do judô nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Com duas medalhas de ouro, uma delas em cima do brasileiro Felipe Kitadai, a equipe chamou a atenção e mostrou que o trabalho que começou há alguns anos já está dando resultado. “É um trabalho de vários anos atrás, um processo com treinadores jovens que já foram atletas”, conta José Romero, que está como técnico da seleção há três anos.

Ele explica que fazem um trabalho no Equador não só com o corpo, mas também com a mente do atleta. “O único segredo que existe para os atletas de alto rendimento é treinar com disciplina e constância, não só os atletas, mas os treinadores também precisam treinar porque a parte psicológica é muito importante. Se a cabeça está mal, o corpo está mal também”, explica.

Ele conta que o judô equatoriano tem origem japonesa, mas com o passar dos anos ele se “cubanizou”, com a chegada de muitos treinadores cubanos. “Temos uma mescla dessas duas escolas. Nessa nova era o judô equatoriano possui treinadores como eu e o Roberto Ibáñez, e tratamos de resgatar o melhor que há nessas escolas, mas agregar mais recursos, porque fomos competidores. Assim, temos um judô mais competitivo, de alto rendimento”, diz.

Em junho os equatorianos tiveram uma disputa com o Brasil em um desafio de judô, e a equipe ficou treinando em Fortaleza. “Era um local bem agradável e bonito. Tivemos esse desafio com o Brasil, perdemos por 3 a 2, mas temos mostrado uma regularidade. O Brasil é um dos países que nos abrem as portas e estamos muito agradecidos.”

Ele explica que o Equador é um país que tem três regiões: costa, serra e oriente. “Os judocas vêm de todas as áreas. Um dos segredos é que a equipe nacional se mantém concentrada em um mesmo lugar, treinando, com equipe multidisciplinar, viagens, toda estrutura. Trazemos os melhores atletas de cada competição regional para o nosso centro de treinamento em Guayaquil e eles ficam concentrados com a seleção.”

Romero revela que a comissão técnica imaginava que a equipe conquistaria de quatro a cinco medalhas no Pan de Toronto, mas não esperava que viriam ouros. Na categoria até 63 kg, Estefania Garcia ficou no lugar mais alto do pódio ao ganhar da canadense Stéfanie Tremblay. Outro que brilhou foi Lenin Preciado, que tirou o ouro de Kitadai ao vencer a luta por ippon na decisão da categoria até 60 kg.

“Conquistamos dois ouros, e eles vieram de uma maneira incrível, com os atletas em que apostávamos. Aí está o resultado. Também tivemos cinco quinto lugares. Vamos para os Jogos do Rio e esperamos chegar com quatro atletas”, disse o treinador, esperando que a equipe faça um bom papel em 2016.

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