No judô, uma rivalidade de 15 anos

Quando se enfrentaram pela primeira vez, aos 13 anos, ainda como faixas verdes, os médios Carlos Honorato e Edelmar Branco Zanol não imaginavam que seriam adversários por uma década e meia. Os judocas vão brigar por uma vaga olímpica pela terceira vez consecutiva, algo inédito no judô brasileiro. Os dois lutaram para representar o Brasil nos Jogos de Atlanta, em 1996, e de Sydney, em 2000, e vão competir para ir a Atenas, em 2004. A primeira seletiva da série melhor-de-três será no dia 21, às 10 horas, no ginásio nº 1 do São Paulo, no Morumbi. Cada País pode levar apenas um titular por peso (sete no masculino e sete no feminino).Branco, líder do ranking brasileiro, desafiará o titular da seleção permanente, Honorato, em três etapas. A segunda fase será em março, em Ipatinga (MG), e a terceira acontece em abril (local a ser definido). Quem vencer ficará com a vaga olímpica - o outro terá de se contentar com a reserva. Branco venceu Alexsander Guedes por 2 a 0 na pré-seletiva, em novembro."É como a rivalidade de Marcos e Dida na seleção de futebol. Independentemente do classificado, o País será bem representado. A competitividade faz os dois crescerem", frisa Branco, que concilia os treinos com um projeto social para 120 crianças, com o apoio da Prefeitura de Guaíra (SP).É intrigante o que tem sido reservado aos judocas desde que eram meninos. Para a Olimpíada de Atlanta, Branco ficou com a vaga, mas não foi ao pódio. Após a medalha de prata no Mundial da Bielo-Rússia, em 1998, novamente conquistou lugar na seleção para ir a Sydney, mas, por causa de uma lesão na costela, foi substituído por Carlos Honorato.Na ocasião, Branco alegou que podia lutar, apesar da contusão - chegou a apresentar atestado médico -, e se sentiu "injustiçado" pelos dirigentes da Confederação Brasileira de Judô, então sob o comando do polêmico Joaquim Mamede.Mas o paulista Carlos Honorato fez jus à vaga ao ganhar a medalha de prata na Olimpíada, a mesma que Branco havia obtido dois anos antes no Mundial. Este ano, Honorato classificou o judô brasileiro no peso médio para Atenas ao ficar com o bronze no Mundial do Japão, em setembro.Branco diz que os dois se cumprimentam, mas não se falam. "A rivalidade é grande demais. A briga é pela vaga olímpica", justifica. Acha que sua luta para ir a Sydney piorou o relacionamento. "Eu defendia um direito..."Branco tem planos para quando parar de competir. "Vou convidar o Honorato para um jantar de desabafo, para um dizer ao outro tudo o que sentia quando lutava. Acho que vamos nos entender", acredita.

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