No lugar de acusações, troca de gentilezas

Desta vez, prevaleceu a cordialidade entre palmeirenses e são-paulinos

Amanda Romanelli e Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

São Paulo e Palmeiras fazem hoje um clássico que há muito tempo não se via. Ao contrário de confrontos recentes, a semana que antecedeu ao jogo foi marcada pela cordialidade. Dirigentes não trocaram farpas. As últimas confusões foram deixadas de lado. Um torcedor mais desatento nem se daria conta de que hoje os times se enfrentam.Até por estarem bem na competição - o São Paulo ficará bem perto da vaga se conseguir os três pontos e o rival já está classificado -, os clubes resolveram deixar as briguinhas de lado. O fato de o Palmeiras estar com um novo presidente também contribui para o fato. Luiz Gonzaga Belluzzo tem boa relação com dirigentes tricolores e é bastante respeitado.Nos últimos dois clássicos no Estadual deste ano a confusão imperou. Entre São Paulo e Corinthians, o desentendimento maior foi na distribuição dos ingressos - corintianos reclamaram da cota de 10%. O mesmo ocorreu entre Corinthians e Santos, desta vez com broncas do time da Vila Belmiro. E nas arquibancadas a torcida fez papelão com brigas. No jogo de hoje, até agora nada aconteceu: os palmeirenses não chiaram com os 10% dos ingressos.O chamado "Choque-Rei" ficou marcado ano passado por vários problemas. No primeiro jogo da semifinal do Paulista, o atacante Adriano marcou um gol de mão que foi validado pela arbitragem. Na partida de volta, o Palmeiras conseguiu a classificação para a decisão após muita polêmica no Palestra Itália: o caso do gás que foi jogado no vestiário tricolor. A Justiça arquivou o inquérito por falta de testemunhas e a Federação Paulista de Futebol puniu o dono da casa com a perda de um mando de campo (cumprido neste ano) e multa de R$ 10 mil.Nos jogos do Brasileiro, mais confusão: Toninho Cecílio, gerente de futebol alviverde, e Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol tricolor, se exaltaram nos dias antes dos clássicos e trocaram acusações. Tudo de feio e errado. Nada comparado ao confronto de hoje.Vanderlei Luxemburgo está aliviado com o clima ameno. "Não vale a pena colocar lenha e lembrar do passado. A violência (nas arquibancadas) se dá por declarações que são dadas antes", disse. Muricy Ramalho também comemora a paz até agora. "Eu acho que tem de ter respeito, que é o que está acontecendo. Isso faz bem para o jogo, para a torcida... Não tem essa de jogo de vida ou morte, de guerra, essas coisas fortes. Espero que sempre seja assim."Mais incisivo do que Luxemburgo, o são-paulino diz que a falta de um clima pesado antes do clássico "é ruim para vocês (da imprensa), porque não tem a onda que vocês querem fazer. Para nós não faz a menor diferença ter polêmica ou não".O ambiente tranquilo deixa Luxemburgo à vontade para falar do técnico rival. "O ?Muriçoca? sempre me deixa com a cabeça quente, sempre me tira o sono antes dos jogos", brincou. "Mas eu gosto dele e minha esposa morre de rir com as entrevistas que ele dá." Perguntado sobre quem foi melhor como jogador, Muricy não teve dúvidas: "Eu, lógico", divertiu-se.

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