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No México, em 1975, noite de apagão na final do futebol

O atleta João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, foi a grande estrela dos Jogos Pan-Americanos do México, em 1975. Chegou como desconhecido e surpreendeu ao alcançar 17,89m no salto triplo - recorde mundial que perdurou por dez anos. Mas a modalidade que roubou a cena e protagonizou um verdadeiro ?mico? foi o futebol. No México, o Brasil somou 43 medalhas (sete ouros, dez pratas e 23 bronzes) e terminou na quinta posição.Por conta da falta de luz no Estádio Azteca, a partida final do torneio de futebol entre Brasil e México foi suspensa a 11 minutos do fim da prorrogação - o jogo estava empatado por 1 a 1, gols de Tapia e Cláudio Adão. Quando parte dos refletores se apagou, o técnico mexicano pediu a suspensão da partida, alegando que seu goleiro não conseguia enxergar nada. ?Por mim, o jogo continua?, disse o juiz argentino Arturo Itruralde. Coincidência ou não, naquela altura do jogo os mexicanos sentiam cãibras e davam sinais de cansaço. ?Esse golpe é velho demais, eles não se agüentam mais em pé?, esbravejou Cláudio Coutinho, chefe e técnico da equipe brasileira.Diante da situação, Joaquim Badillo, presidente da Federação Mexicana de Futebol, propôs que as seleções dividissem o ouro. O que foi aceito pelos outros dirigentes, já que o público que lotava o estádio - 50 mil pessoas - começava a se enfurecer, dando vaias e arremessando objetos no campo.A decisão de proclamar dois vencedores foi criticada pela Fifa, que considerou a atitude ?ilegal?, já que jogos de futebol são definidos, se necessário, em pênaltis e prorrogações. A entidade, então, exigiu que nova partida fosse realizada para definir o campeão.Coutinho acatou a ordem, mas quis consultar seus superiores. Para surpresa geral, o general Antônio Pires de Castro Filho, chefe da delegação brasileira, decidiu que o Brasil não voltaria a campo para o novo jogo, quatro dias depois do incidente. ?Não fomos nós quem propusemos dar medalha de ouro para os dois países, foram os mexicanos. A medalha é nossa e vamos embora com ela?, disse o general.A seleção de futebol voltou para o Brasil com o ouro. Alguns jogadores não queriam nem mostrar suas medalhas, com medo de que alguém as roubasse. Com duas equipes vencedoras, foi preciso o dobro de medalhas de ouro e não havia para todo mundo.Os jogadores gostaram de poder voltar para casa sem ter de disputar o desempate - a decisão do futebol ocorreu no último dia dos Jogos do México e a delegação não agüentava mais ficar numa vila pan-americana já quase vazia.De acordo com o relatório oficial do Comitê Organizador dos Jogos do México, que consta do acervo do Comitê Olímpico Brasileiro, os dois países contabilizaram o ouro no quadro de medalhas. O bronze ficou com a Argentina.

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