Canoagem Brasileira
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No Mundial de Canoagem Slalom, Ana Sátila é a esperança do Brasil

Aos 21 anos, mas com dois Jogos Olímpicos no currículo, brasileira é o principal nome do País na modalidade

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2017 | 07h00

Considerada um fenômeno na modalidade, a jovem Ana Sátila é o principal nome da delegação brasileira no Mundial de Canoagem Slalom, que começa nesta terça-feira na cidade de Pau, na França. Apesar de ter apenas 21 anos, ela já tem a participação em duas edições dos Jogos Olímpicos no currículo – Londres-2012 e Rio-2106 – e chega embalada por bons resultados na temporada para a disputa.

“Consegui recentemente chegar à final na última etapa da Copa do Mundo, onde todas as atletas que estarão no Mundial estavam presentes. Foi uma experiência muito importante e que com certeza será fundamental para esse Mundial”, afirmou. Além dela, a delegação nacional conta com outros sete atletas: Charles Corrêa, Felipe Borges, Guilherme Mapelli, Pedro Gonçalves, Leonardo Curcel, Renan Soares e Omira Estácia, que é irmã mais nova de Ana Sátila e tem muito potencial.

“Eu vou disputar três categorias no Mundial: C1 (canoa individual), K1 (caiaque individual) e Boat Cross ou K1 Extreme, uma nova modalidade que surgiu na canoagem slalom. Todas são categorias muito disputadas. Eu obtive uma grande evolução na canoa, participei de quase todas as finais de Copas do Mundo e tenho grandes chances de medalha, mas o K1 ainda é a minha categoria principal”, conta Ana Sátila.

Ela sabe que, em uma disputa com um nível competitivo muito alto, qualquer erro pode custar caro. Foi isso que ocorreu nos Jogos do Rio, quando acabou sofrendo punição de 50 segundos em seu tempo, por passar fora da baliza por centímetros. Isso tirou a atleta da competição, mas serviu de grande aprendizado para a garota.

“A Olimpíada do Rio foi a maior experiência que eu já tive em toda a minha carreira esportiva. Realmente não foi o resultado que eu esperava, mas superar aquele momento, colocar a cabeça no lugar e no mesmo dia já ter outro objetivo em mente foi uma grande superação pessoal para mim. Nunca irei esquecer o aprendizado que eu conquistei e sempre tento levar essa bagagem e experiência para todas as minhas competições”, explica a atleta. 

Ana Sátila vem amadurecendo a cada temporada. Ela foi campeã mundial júnior em 2014 e vice-campeã sub-23 em 2015. E tem tido bons resultados, ainda mais para uma modalidade com pouca tradição no Brasil, apesar dos muitos rios no País. Foi em Primavera do Leste (MT) que ela deu suas primeiras remadas. Antes, praticava natação com seu pai, que sempre a incentivou no esporte.

Mas quando conheceu a canoagem, logo se apaixonou e seu talento passou a chamar atenção de especialistas da modalidade, que a convidaram para ir treinar em Foz do Iguaçu. Como tinha apenas nove anos, sua mãe foi junto e acabou se tornando a governanta na Casa dos Atletas. A aposta no talento de Ana Sátila foi se tornando realidade e com apenas 16 anos carimbou sua vaga para os Jogos de Londres, sendo a atleta mais jovem da delegação brasileira.

Ela vai fazer sua estreia no Mundial na quarta-feira, na prova de C1. Na quinta-feira, disputa as classificatórias do K1. Na sexta e sábado serão as disputas de semifinais e finais. No domingo, é a vez do K1 Extreme, que tem uma primeira fase de tomada de tempo e depois entram barcos ao mesmo tempo na água e vence quem chegar primeiro, tendo de passar por algumas balizas mais largas. É uma prova que ela tem tido bons resultados – foi ouro em Ivrea, na Itália, no início do mês.

Existem grandes atletas na disputa com Ana Sátila e os competidores da França, país com maior tradição mundial na modalidade, vão querer fazer a festa em casa. A brasileira já competiu lá e gosta muito do canal onde será a disputa. “Exige muita técnica e estratégia. Esses fatores são essenciais para uma boa competição”, garante.

Além dela, outro nome importante da delegação é Pepê Gonçalves, que nos Jogos do Rio surpreendeu com uma sexta colocação. Ele vai disputar a prova de K1. Para Ana Sátila, a equipe brasileira está evoluindo a cada ano. “Temos uma equipe técnica boa e isso foi fundamental para o nosso desenvolvimento. Claro que ainda há muito trabalho a ser feito, mas estamos no caminho certo”, avisa.

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