No ocaso da carreira, Barrichello prepara seus herdeiros

Em visitas ao kartódromo da família, na Granja Viana, Rubinho incentiva os filhos a se tornarem pilotos

Livio Oricchio, do Estadão,

16 de outubro de 2007 | 09h20

Eduardo tem 6 anos. Fernando, apenas 2. E não só já freqüentam autódromos e o kartódromo da Granja Viana, em Cotia, na Grande São Paulo, como até já pilotam kart. "O Fernando no meu colo", diz o pai, feliz como poucos, por saber que irá dispor de algum tempo com os filhos até o início da próxima temporada de Fórmula 1, em março. Rubens Barrichello, perto de se tornar o piloto com mais GPs na história da competição, prepara seus herdeiros nas pistas.   Veja também:  Barrichello diz que Honda confia em sua experiência  Dê uma volta pelo Circuito de Interlagos    Nesta segunda, sob frio e vento forte, os dois meninos se divertiam com o pai na condução dos karts no kartódromo pertencente à família da mulher de Rubinho, Silvia Giaffone. "Ser primo dos donos me permite uma bela economia", diz Rubinho, rindo. Tony Kanaan, papai há apenas 28 dias, acompanha tudo de perto, observando como serão os primeiros passos do pequeno Leonardo.   "Gosto", afirma sem hesitar Dudu, como Eduardo é chamado por Rubinho. "Ganhei um capacete novo." Tem o desenho do usado pelo pai, mas com o verde em substituição ao vermelho. "Os dois têm maneiras bem distintas de se divertir no kart. O Dudu presta atenção em tudo e é incrível como segue o que lhe dizemos. É mais cerebral. Já o Fernando eu paro o kart no box e ele quer continuar, é mais ousado, quer continuar na pista", explica Rubinho.   É cedo ainda, comenta, para saber se o automobilismo será a opção profissional para ambos. "Eu comecei nessa idade, 6 anos, vou deixá-los decidir." A mãe não gosta muito da idéia, embora não se manifeste. Nunca foi aos treinos dos filhos. "E quando um deles fala que quer praticar futebol, algum esporte, ela logo vem com uma inscrição para eles em algum lugar", conta Rubinho. Se a mãe tem seus receios, o pai não."Tenho muito mais medo se eles decidirem subir numa árvore do que aqui na pista, correndo de kart. E tenho experiência. Ano que vem completo 30 anos de carreira."   "Mutcho" é a resposta de Fernando sobre se gostou da volta desta vez mais rápida no colo do pai, com capacete também semelhante ao usado por Rubinho. No fim da tarde, Dudu pediu para voltar à pista. Seu melhor tempo com o kart especial italiano, Tony, de 2,5 cavalos, concebido para esses treinos e não para competições, era de 1min12s. Dudu baixou para 1min11s1. "Olha o traçado dele, como sempre presta atenção em tudo o que faz. Você faz sinal de positivo aqui no box e ele responde sem deixar de olhar para frente", explica Rubinho, cheio de orgulho.   A questão é inevitável: Barrichello tem fãs e críticos. A rejeição que gera em parte da torcida pode prejudicar a eventual carreira dos filhos? "Meu índice de aceitação é bem maior que o de rejeição. A vida tem outro sentido, não o do pessimismo. Seria muito pequeno da minha parte desestimulá-los por isso", responde, como sempre, sem se importar com a contundência da pergunta.

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