No Pan, futebol é coisa de mulher

Seleção tenta o ouro contra os EUA

Robson Morelli, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2026 | 00h00

Futebol nos Jogos Pan-Americanos virou coisa de mulher. E não é joguinho qualquer. A seleção brasileira feminina de futebol briga hoje, ao meio-dia, com os Estados Unidos pelo ouro da modalidade. O palco da disputa? O lendário e agora reformado Maracanã, que muito viu nos seus mais de 50 anos de existência, mas que nunca teve uma decisão feminina de Pan em seu gramado. Apesar do horário diferente para os padrões brasileiros, espera-se casa cheia, com mais de 40 mil pessoas.O ''''futebol de saias'''', tão esquecido e abandonado em seu próprio País, defende ainda o posto mais alto conquistado nos Jogos de Santo Domingo, quando foi ouro superando o Canadá na final. Se ganhar, será bicampeão pan-americano, e agora com gostinho de festejar com sua gente. Hoje, a decisão será diante de um time norte-americano formado por garotas de até 20 anos. Inexperiente ainda, mas que chegou superando bem seus rivais.O treino da véspera da decisão, ontem, foi substituído por uma leve movimentação dentro da Vila Pan-Americana. O técnico Jorge Barcellos preferiu concentrar as meninas em vez de trabalhar em campos encharcados após dois dias de chuva. ''''Também não há muito mais a fazer. A hora agora é de concentração e foco na decisão'''', disse o treinador.O Brasil não terá modificação em relação ao time que suou para bater o México por 2 a 0 na semifinal. Foi o jogo mais duro para Barcellos e sua equipe. Ele conta que houve excesso de firulas quando a partida ainda estava empatada. Acusou ainda algumas jogadoras de fazerem ''''sapato alto''''. ''''Isso não vai acontecer de novo'''', garante.A seleção brasileira chega à final sem sofrer gols. Sobrou na competição. Em algumas partidas, a goleira Andréia passou boa parte do tempo observando o time atacar. Quase não fez defesas. Mas todo cuidado é pouco diante das americanas, uma das melhores escolas de futebol feminino do mundo.Os EUA são os atuais campeões olímpicos. Ficaram com o ouro em Atenas numa decisão diante das brasileiras: empataram por 1 a 1 no tempo normal e ganharam por 1 a 0 na prorrogação. Essa equipe, porém, não é a mesma que está no Rio, o que também não faz do time visitante um franco-atirador. ''''E nós já enfrentamos esse time sub-20 dos EUA. Foi no Mundial da Rússia, no ano passado. Empatamos no tempo normal e perdemos nos pênaltis. Temos de entrar ligados'''', diz Barcellos. ''''Precisamos ser objetivos. E depois de construir o placar aí, sim, poderemos jogar para a torcida.''''O técnico do Brasil pede seriedade na decisão. Sabe que o futebol é de mulher, mas que a cobrança será como se fosse de homem.

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