Petr Josek/Reuters
Petr Josek/Reuters

No quesito rebeldia, Rossi sobe ao topo do pódio na MotoGP

Italiano não disputa o título desde 2009, mas continua polêmico. Agora, apoia os manifestantes londrinos e diz que não vai ao Japão por causa da radiação

, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2011 | 00h00

BRNO, REPÚBLICA CHECA

Já que não consegue mais mostrar seu lado rebelde nas comemorações - seu último título foi em 2009 e agora é apenas o quarto colocado do campeonato -, Valentino Rossi tem manifestado opiniões polêmicas nas entrevistas. Semana passada, o italiano heptacampeão mundial de MotoGP, colocou-se ao lado dos manifestantes londrinos, que causaram o caos na cidade-sede dos próximos Jogos Olímpicos. Agora, ameaça não disputar o Grande Prêmio do Japão, no dia 2 de outubro, por causa do risco de radiação.

"Eu realmente acho que não vou ao Japão. Eu estava esperando que os organizadores do campeonato tomassem a decisão certa (para ele, a corrida deveria ser cancelada), mas não foi o caso e agora teremos um sério problema", disse o motociclista à imprensa italiana.

O GP do Japão estava marcado para 24 de abril, mas foi adiado por causa dos terremotos que causaram tsunamis e abalaram a estrutura da usina nuclear de Fukushima, no norte do país. Rossi gostaria que a corrida fosse realizada em Suzuka, no sul, porém os organizadores da prova decidiram mantê-la em Motegi, a cerca de 150 quilômetros do foco da radiação.

A posição de Rossi é semelhante à do líder do campeonato e atual detentor do título mundial, Casey Stoner, e do seu principal rival, Jorge Lorenzo.

Nenhum piloto acompanhou Rossi, no entanto, no apoio aos violentos manifestantes da Grã-Bretanha. Eles se rebelaram contra a morte de um civil pela polícia de Londres, mas muitos acabaram aproveitando a situação de insegurança para fazer saques em supermercados e lojas de conveniência, além de outros atos de vandalismo.

"Estou com os manifestantes", declarou Rossi ao jornal La Stampa. "A polícia deveria ajudar a resolver os problemas em vez de se meter a bater nas pessoas e matar jovens. Se existe essa confusão, talvez o motivo seja o próprio comportamento das forças de segurança."

Rossi tem conhecimento de causa sobre as tensões sociais que ameaçam Londres porque morou na capital britânica por alguns anos.

Como um italiano, também percebeu a truculência com que a polícia trata os imigrantes. Mas, depois, vendo a gravidade dos atos de vandalismo que começaram em Londres e se espalharam por todo o país, recuou um pouco em suas opiniões.

"É errado usar a violência. O policial que disparou estava errado. Mas, então, se sucederam coisas que fazem pensar que vários se aproveitaram da situação para bagunçar e roubar lojas", ponderou.

As posições polêmicas e até legitimadas por alguns de seus companheiros de categoria não ajudaram o italiano a voltar ao topo do pódio na MotoGP. Depois de terminar o Grande Prêmio da República Checa, anteontem, apenas na sexta colocação, Rossi também não marcou bons tempos no dia de treinos livres no mesmo circuito da prova, em Brno.

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