No Rio, críticas e lamento pela exclusão

A saída do Rio da disputa pelo direito de ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2012 provocou diversas reações em alguns de seus principais envolvidos, como o prefeito Cesar Maia e a governadora Rosinha Garotinho. Enquanto ele optou por aceitar esportivamente e reconhecer os problemas cariocas, ela afirmou que "problemas técnicos" foram os fatores da exclusão e ainda disse que culpar a política de segurança pública seria uma "maneira de politizar" a questão.A certeza de que o Rio seria aceito no processo de escolha era tanta que o prefeito já havia convocado uma entrevista coletiva, na qual comemoraria e divulgaria os próximos passos da candidatura, que recebeu durante a campanha investimentos de cerca de R$ 3 milhões. Após a eliminação, o encontro foi desmarcado às pressas e ele se manifestou somente por meio de uma nota oficial."Cabe sempre tratar as vitórias e as derrotas com espírito olímpico e esportivo. A candidatura do Rio seguia muito forte, conforme informações divulgadas por sites especializados", destacou Cesar Maia. "A vinda da Tocha Olímpica, em junho (dia 13), é uma prova disso e o COI não poderia escolher o Rio para este ato pensando que a cidade não seria finalista." O prefeito seguiu enumerando fatos, como o favoritismo carioca entre os especialistas de consultorias internacionais. No final do documento, destacou ainda a necessidade de o Rio resolver a questão da segurança pública."Precisamos ter autocrítica e reconhecer que a questão da segurança pública continua sendo a nossa chaga maior e que ela é fundamental e crítica", escreveu o prefeito, que no início de maio, em entrevista à Agência Estado, frisou que a violência da cidade não era o principal ponto vulnerável de seu projeto olímpico. "O assunto precisa ser tratado fora da política, como questão de Estado, de maneira sistemática e com inevitável presença federal."Já a governadora do Rio, também em nota oficial, rechaçou a possibilidade de a segurança pública ter sido o fator preponderante para saída do Rio da disputa. Lembrou que Nova York e Madri, vítimas de atentados terroristas, foram escolhidas para permanecerem no processo de escolha para os Jogos de 2012."Atribuir a exclusão a problemas de segurança é uma maneira de politizar um problema técnico e fugir da questão central. É a terceira vez que uma candidatura olímpica brasileira é derrotada", lembrou a governadora, sem explicitar quais seriam as dificuldades técnicas citadas. Ela ainda afirmou que o sucesso da realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 credenciarão "definitivamente" a cidade para ser a sede da Olimpíada de 2016.Apesar de a governadora não explicar os "problemas técnicos" citados em sua nota, o secretário estadual do Esporte, Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, não deixou dúvida sobre onde ocorreu o erro. Para ele, o relatório "apresentado pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) ao Comitê Olímpico Internacional, elaborado pela prefeitura do Rio, era inferior ao das demais cidades concorrentes".Mas, para o presidente da Associação Comercial do Rio, o ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira, os problemas econômicos brasileiros devem ter sido os fatores determinantes para a eliminação da cidade. Citou a fragilidade econômica do País como um fator negativo no cenário internacional."O Risco Brasil deve ter pesado. O nosso quadro econômico, a fragilidade fiscal", apontou Moreira, argumentando que os atrasos do cronograma de preparação de Atenas para os Jogos de 2004 podem ter induzido o COI a preferir cidades com situações econômicas estáveis."Realizar uma Olimpíada requer muitos investimentos e os dirigentes do COI podem ter levado em conta o exemplo que a Grécia vem dando ao mundo."Nas ruas do Rio, o descontentamento foi visível. Todos as pessoas lamentavam a saída da cidade da disputa, mas já manifestavam apoio para uma nova investida, em 2016. O camelô Rodinei Oliveira dos Santos, de 26 anos, vendedor de roupas no centro, lembrou que deixará de "faturar" em cima dos Jogos. Afirmou que já estava preparando camisas alusivas ao tema para vender por cerca de R$ 20.A diarista Suny de Almeida, de 41 anos, lamentou a saída, principalmente, porque estava "com vontade" de ser uma voluntária durante a competição.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.