No Rio, Olimpíada aumenta o ritmo das remoções

Com dois importantes eventos esportivos no cronograma, cidade deixa intranquilos moradores[br]de várias regiões

Alfredo Junqueira, Almir Leite e Bruno Lousada, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

O Rio terá, além da Copa do Mundo, a Olimpíada de 2016. A cidade programou várias obras. Algumas estão em andamento e os efeitos em relação a remoções de pessoas já foram sentidos. Perto do Maracanã, pelo menos 600 pessoas foram retiradas da Favela do Metrô, de acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, e reassentadas em outros locais. Na comunidade da Restinga, na zona oeste, vários moradores tiveram as casas destruídas, para as obras da Transoeste, um dos corredores viários previstos para a Olimpíada.

A prefeitura diz que as desapropriações - e a consequente remoção de pessoas - são feitas de acordo com a lei. Mas há contestações. "Não estão sendo seguidas requisitos estabelecidos em lei municipal e por normas internacionais quanto à transparência, consulta, exploração de alternativas ou compensações"", disse o pesquisador da Anistia Internacional Patrick Wilcken, após visita, em outubro passado, à comunidade da Restinga.

No caso da Favela do Metrô, muitos ex-moradores reclamam de terem sido recolocados no distante bairro de Cosmos, o que trouxe problema para sua rotina. A prefeitura alega que parte do reassentamento ocorreu com apoio do programa "Minha casa, Minha Vida"", do governo federal - outras famílias estão inscritas no programa. E diz que indenizações foram pagas a preços do mercado.

As desapropriações para a construção da Transoeste ainda não cessaram. Continuam na Restinga, por exemplo, muitas das 150 famílias que povoaram o local - algumas faz mais de 50 anos. E vários terão de sair.

Também serão desapropriados, total ou parcialmente, 3.630 imóveis para a construção da Transcarioca, que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Tom Jobim, na Ilha do Governador.

No total, de acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, 629 famílias, ou cerca de 2,5 mil pessoas serão removidas apenas por conta das obras da Transoeste.

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