No sonho da torcida, um futebol bem brasileiro

No sonho da torcida, um futebol bem brasileiro

Recentemente, Carlos Alberto Parreira disse que a cobrança por bom resultado na Copa é tão grande na África do Sul quanto no Brasil. Não exagerou. O torcedor dos Bafana tem de fato sonhos ambiciosos, mesmo que eles revelem grande contradição. É quase unanimidade a opinião de que a seleção é fraca. Apesar disso, a exigência é de que vá à decisão ou, no mínimo, alcance as quartas.

JOHANNESBURGO, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

"A África do Sul sente falta de grandes jogadores. O melhorzinho é Pienaar, mas é mais voluntarioso do que um jogador que se destaca pela técnica"", analisa o motorista Gabriel Tsunakume. "Estamos em casa, o povo está empolgado, cheio de sonhos. Não podemos dar o vexame de fazer três jogos e sermos eliminados.""

Gabriel confia plenamente em Parreira. "Ele é bom, inteligente, estudioso, sabe montar uma equipe"", entusiasma-se. "Quem sabe faça os nossos (atletas) jogarem como os brasileiros"", sonha.

Num país com muitas áreas livres, centenas de campinhos de várzea e um povo que aprecia, e joga, futebol desde criança, parece incoerente a escassez de atletas de nível ao menos razoável.

Há uma explicação, segundo o taxista Nale Netshikulwe: os dirigentes não investem na formação de jogadores. "Eles não estão interessados nisso", lamenta. "Não há apoio para as crianças, nem para os clubes. E não se formam jogadores sem incentivo."" / A.L.

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