No sufoco, São Paulo passa pela Portuguesa

Time tricolor aproveitou melhor suas chances que o rival, mas mesmo com 3 zagueiros não se livrou de sofrer pressão: 3 a 2

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2011 | 00h00

O técnico Paulo César Carpegiani passou a semana puxando as orelhas de seus jogadores. Pediu mais raça, vontade, organização depois da derrota de 2 a 1 para o Botafogo, em Ribeirão Preto. E viu boa parcela de tudo isso que queria ontem quando o São Paulo bateu a Portuguesa por 3 a 2, no Canindé, com direito a mais um gol de Rogério Ceni, o 98.º de sua carreira.

"Estava muito quente em campo, um sol para cada um, como dizem. É mais difícil jogar futebol assim", contou o meia Rivaldo, que teve mais uma atuação discreta e foi substituído no segundo tempo. "O mais importante é que soubemos aproveitar melhor nossas oportunidades e conquistamos a vitória"

Sem os meninos que foram campeões sul-americanos sub-20 com a seleção brasileira, o treinador são-paulino ainda não encontrou a formação ideal da equipe. Ontem, voltou a utilizar três zagueiros, promovendo a estreia de Rhodolfo, recém contratado do Atlético-PR. Não dá para dizer que a formação funcionou perfeitamente porque a defesa deu bastante espaço para o ataque da Portuguesa. Só que os atacantes do time da casa não estava com o pé muito calibrado.

Depois de Rogério Ceni fazer algumas boas defesas e, como uma espécie de mensageiro de Carpegiani em campo, dar outro puxão de orelhas no time, o São Paulo melhorou. Mesmo criando menos chances de gol, soube aproveitar melhor e abrir o placar no Canindé. Aos 29 minutos, Fernandinho, numa jogada que não costuma estar no seu arsenal, fez o primeiro de cabeça.

Dez minutos mais tarde, foi a vez de Rogério Ceni atravessar o gramado e colocar em prática o ritual que faz parte dos motivos para o torcedor são-paulino chamá-lo de "mito": arrumou a bola com carinho e cobrou falta no ângulo de Weverton. 98.º gol do maior goleiro-artilheiro do futebol mundial - que sentiu fisgada na coxa direita quanto retornava à sua meta, mas manteve-se em campo.

"Valeu muito porque nós vencemos o jogo", afirmou, dando mais valor ao resultado que à proximidade com o 100º gol. "Esta é uma marca que não me deixa ansioso. Uma hora vai chegar. Podia não chegar também e não haveria problema. É um número mais importante para a imprensa, para o torcedor, do que para mim. Eu quero é que o São Paulo saia vencedor dos jogos."

Portuguesa ameaça. A quinta vitória do São Paulo esteve ameaçada no segundo tempo. Insatisfeito com a atuação da primeira etapa, o técnico Sérgio Guedes fez duas alterações no meio e no ataque da Portuguesa no intervalo. Entraram Fabrício e Héverton. E os dois mudaram todo o panorama da partida. A equipe da casa passou a jogar melhor.

Logo aos 12 minutos, Héverton, que foi a principal estrela do time da Portuguesa na Série B do ano, deixou sua marca (de pênalti) e mostrou o quanto era injusto estar no banco de reservas.

A Portuguesa seguiu pressionando. Mas o time tem um azar quando enfrenta o São Paulo no Canindé - não vence a equipe tricolor desde 2001. Numa bola levantada para a área por Dagoberto, o estreante Rhodolfo cabeceou para as redes: 3 a 1 e um balde de água fria na reação.

Mas Héverton é incansável e fez mais um no finalzinho do jogo. E ainda deu tempo para Rogério Ceni salvar seu time mais uma vez após cobrança de falta. Vitória sofrida de uma equipe que ainda precisa melhorar muito para conquistar algum título nesta temporada.

"Não podemos fazer o resultado e tomar sufoco como aqui", reclamou o capitão. "Mas pelo menos já estivemos mais competitivos que nos últimos jogos."

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