Jonne Roriz/ Divulgação
Jonne Roriz/ Divulgação

Nory cai de cara e Brasil ganha só um bronze no último dia da ginástica

Ginasta pivô em caso de racismo na seleção falha na barra fixa

NATHALIA GARCIA - enviada especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 17h45

Os ginastas brasileiros decepcionaram no último dia de disputa nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Com chance de conquistar dez medalhas nas finais por aparelhos desta quarta-feira, o País foi representado no pódio apenas uma vez. Caio Souza, quarto colocado no individual geral, conquistou a medalha de bronze nos saltos. Arthur Nory Mariano, pivô do caso de racismo contra Ângelo Assumpção, despediu-se do Canadá com uma queda de cara no tablado na sua apresentação na barra fixa.

Depois de ser apenas o sétimo colocado no salto, Nory decidiu ir para o "tudo ou nada" na barra fixa e apresentar uma série mais difícil do que está acostumado. Acabou falhando e terminando em último, com nota 14,025. Lucas Bitencourt não foi muito melhor. Terminou em antepenúltimo, com 14,475, numa final vencida pelo colombiano Jossimar Calvo (15,700).

Das três finais masculinas do dia, a única que não foi vencida por Calvo foi o salto, na qual ele não competiu. Foi nela também que saiu a única medalha do Brasil: bronze para Caio Souza.

Com 14,925, o ginasta brasileiro teve de aguardar a atuação do canadense Scott Morgan para confirmar o terceiro lugar. O sucesso no segundo salto foi essencial para compensar o grande passo dado no primeiro e deixar o brasileiro na briga desde o início. E ele pôde comemorar a conquista inédita, que lhe escapou no individual geral, na segunda-feira, quando foi quarto colocado.

"Chegou uma medalha, estou mais do que feliz por isso. Mas acredito que o momento certo ainda está para chegar, estou só esperando", comentou Caio, de 21 anos, a grande revelação da ginástica brasileira em Toronto. "Ainda meu momento não chegou. Tenho muito o que mostrar na ginástica. Vou continuar treinando duro para poder fazer melhor no Mundial", disse Caio.

O brasileiro ficou a apenas 0,32 da prata, conquistada pelo norte-americano Donnell Whittenburg. O ouro foi para Manrique Larduet, de Cuba, com 15,125. Se tivesse repetido as notas 15,200 e 15,250, obtidas na fase de classificação, Caio seria ouro.

Também havia expectativa maior sobre Flávia Saraiva, que não repetiu o bom desempenho nas finais por aparelhos no Pan de Toronto. Mesmo com apoio do público no Toronto Coliseum, a ginasta amargou a quinta posição na trave e a sexta colocação no solo. Experiente, Daniele Hypolito também falhou.

Na trave, aparelho que exige bastante concentração das atletas, Flavinha teve um grande desequilíbrio logo no início e pouco depois foi ao chão. A brasileira retomou e cometeu mais algumas pequenas falhas. Longe do seu potencial, a ginasta recebeu apenas 13,225. Julie Kim Sinmon fez uma série com menor grau de dificuldade e somou 13,575, ficando com o quarto lugar.

No sábado, Flávia havia se garantido na etapa decisiva dona da melhor nota (14,550), com 0,050 de vantagem sobre a norte-americana Rachel Gowey, que acabou em último lugar na final. Já Julie evoluiu e melhorou o resultado depois da sexta posição na etapa classificatória. A canadense Ellie Black foi bastante superior que as rivais para ficar com o ouro, a prata foi para Megan Skaggs, e a também anfitriã Victoria Woo levou o bronze.

Flavinha, de 1,33 m de altura, ainda tinha chance de se recuperar no solo. No entanto, um grande deslize logo no início comprometeu a sua pontuação. Flávia fechou a sua participação nesta quarta-feira com 13,200, no sexto lugar. "Hoje (quarta) não fui tão bem, acontece com todo mundo. Saio daqui mais preparada, mais concentrada para as próximas competições e agora é treinar para competir bem."

Daniele Hypolito também decepcionou ao encerrar sua participação em Jogos Pan-Americanos sem uma medalha no individual. Em Toronto, a veterana não fez uma boa execução de sua série no solo, e a nota 12,800 lhe deixou na última posição.

Grande nome do Pan até aqui, Ellie Black garantiu o ouro no solo, com nota 14,400, e se despede da competição com três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze. No solo, foi seguida da norte-americana Amelia Hundley e a da guatemalteca Ana Gomez.

MASCULINO

Arthur Nory Mariano sabia desde o início que estava fora do páreo na final dos saltos, uma vez que um grande desequilíbrio marcou a chegada do seu primeiro salto. O brasileiro também desperdiçou a chance de se recuperar na segunda tentativa e até precisou se apoiar com as mãos antes de se levantar. Os 14,087 pontos deixaram o atleta na sétima posição. Larduet faturou o ouro, enquanto o norte-americano Donnell Whittenburg ganhou a prata.

O Brasil não teve melhor sorte com Francisco Barretto Júnior nas barras paralelas. Uma queda do aparelhou rendeu ao ginasta apenas 12,600, pontuação que lhe deixou no último lugar. Caio Souza foi outro que não se deu bem no aparelho e terminou em sétimo lugar (13,725). Ouro para Calvo, prata para Larduet e bronze para Mikulak.

O colombiano se despediu do Pan com três de ouro e duas de bronze. Larduet leva quatro medalhas para Cuba, sendo uma de ouro, duas de prata e uma de bronze. Mikulak faturou duas de ouro e duas de bronze, contra um ouro e três pratas para Whittenburg

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