Nos EUA, um critério ''mais conveniente''

A mídia dos EUA contornou a incômoda situação de mostrar o país atrás da China no quadro de medalhas com uma solução simples: o critério de classificação passou de maior número de medalhas de ouro para o de maior quantidade de medalhas conquistadas. Assim, a expressão "bronze que vale ouro" - lugar-comum em transmissões esportivas para amenizar o insucesso de atletas que falham na tentativa de subir no degrau mais alto do pódio - converteu-se em verdade matemática nos principais jornais e emissoras de TV dos EUA.Na contramão dos principais jornais do mundo, os gigantes americanos The New York Times e The Washington Post aderiram ao novo e conveniente critério. A rede de TV CNN já o adotara desde Atenas-2004, quando a China conquistou 32 ouros, encostando nos EUA, que obtiveram 35. Pelo padrão de número de medalhas, a China ficara em terceiro na contagem da CNN, com 63 - 40 a menos que os americanos e atrás da Rússia, que obteve 92 (27 de ouro).Nos últimos dias da Olimpíada de Pequim, indicando um certo constrangimento, a CNN retirou o quadro de medalhas de suas principais páginas da internet - incluindo a do noticiário olímpico. No lugar do quadro, o site da emissora trouxe uma enquete, na qual o internauta era convidado a responder qual o melhor modo de ranquear os países que participam dos Jogos: a) pelo número de medalhas conquistadas; b) pelo número de medalhas de ouro; ou c) "Não podemos apenas nos divertir assistindo (aos Jogos)?"O resultado até sábado à noite: 44% diziam preferir o critério de classificação pelo número de medalhas de ouro - bem mais do que os 25% que achavam mais justo o ranqueamento pelo total de medalhas. A opção de "deixar essa história de contagem pra lá" tinha 31%. Na quinta-feira, o site do New York Times, por meio do blog do jornalista Jeff Z. Klein, tentou explicar a posição do jornal. "Adotamos para nosso quadro de medalhas o critério usado pela Associated Press, que estabelece o ranking pelo número de medalhas conquistadas", diz Klein, ressaltando que "outros, incluindo o Comitê Olímpico Internacional (COI)" - simplesmente, a máxima entidade do esporte olímpico -, listam seu ranking pela quantidade de medalhas de ouro. "Alguns leitores nos escrevem sugerindo que se trata de um esforço deliberado (do jornal) para manter os EUA no topo do ranking, em prejuízo da China. Certamente o Times não tem nenhum interesse em favorecer qualquer país e entendemos que ambos os critérios têm seus méritos", explicou-se Klein, sugerindo um novo método, que atribuísse pesos diferentes para medalhas de bronze (peso 1), prata (2) e ouro (4).Fora dos EUA, o Estado não detectou nenhum jornal - entre os principais da Europa, América Latina ou Asiá - que utilizasse o mesmo critério dos americanos. Uma curiosidade: terminada a jornada olímpica do sábado, a penúltima de Pequim, o Brasil ocupava o 17º lugar - cinco posições acima em relação ao critério do COI.

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