Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Nova geração da natação mostra força para os Jogos de Tóquio, em 2020

Quarteto brasileiro ganha ouro no revezamento 4 x 200m no Mundial de piscina curta e dá esperança de novo pódio

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2018 | 04h33

Medalha de ouro e quebra de recorde mundial. Nem nos maiores sonhos os brasileiros do revezamento 4 x 200m livre poderiam imaginar que teriam uma disputa tão especial no Mundial de natação em piscina curta, que está sendo realizado em Hangzhou, na China. O quarteto formado por Luiz Altamir, Fernando Scheffer, Leonardo Santos e Breno Correia chegou à frente de potências como Rússia, China, Austrália e, claro, Estados Unidos para conquistar um resultado incrível.

O recorde mundial anterior era dos russos, que em 2010 nadaram em 6min49s04. Os brasileiros cravaram 6min46s81 e estabeleceram uma nova marca para piscinas de 25 metros. A prova foi tão forte que os três primeiros colocados nadaram abaixo do recorde anterior – a Rússia foi prata e a China ficou com a medalha de bronze.

“Essa conquista é gigante para todos nós. Acreditamos desde o início que poderíamos quebrar o recorde mundial e vencer a prova. Duas semanas atrás eu tinha dito isso e desde então, todos os dias nós falávamos para acreditar. E conseguimos. Cada um aqui é parte de um time e realizamos nosso sonho juntos”, disse Luiz Altamir.

O Brasil havia se classificado na sexta posição, mas nadou as eliminatórias com Leonardo de Deus, poupando Leonardo Santos, que estava um pouco desgastado. A estratégia deu certo e na final a equipe se superou, com o jovem Breno Correia, de apenas 19 anos, fechando a prova. “Eu estava bastante motivado e até sonhei com isso. Colocamos na cabeça e acabamos tornando isso possível. Nos últimos 50 metros nos demos conta de que realmente era possível ganhar”, contou Breno.

Com a medalha de ouro no peito, os atletas já começam ter sonhos maiores. Seria essa geração capaz de chegar ao lugar mais alto do pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio, daqui a dois anos, em 2020? A juventude dos nadadores pesa a favor.

“O mais velho do grupo tem 23 anos e o mais novo, 19. As provas na piscina curta valorizam os atributos físicos. Quanto mais velho, mais cascudo fica e mais vantagem leva. Posso dizer que esse revezamento em piscina longa é capaz de nadar melhor”, afirmou Alex Pussieldi, ex-técnico de natação e comentarista do SporTV.

Ele explica que o feito dos garotos representa muito, até porque não era esperado. “O quarteto brigava por medalha, mas não se imaginava o ouro e o recorde mundial. Eles quebraram a marca em mais de dois segundos e tiraram oito segundos do recorde sul-americano. O fato de ter sido na piscina curta não diminui o feito. Mas não se pode comparar, pois um resultado em piscina longa é sempre mais expressivo”, diz o especialista.

Breno, 19 anos, Luiz Altamir, de 22, e Fernando Scheffer, de 20, são nomes quase que certos para compor esse revezamento nas próximas competições. Resta uma vaga. “Esse revezamento vai ser definido só em abril. O João de Lucca é um candidato natural e está treinando com o Arthur Albiero na Universidade de Louisville (EUA). E o Murilo Sartori pode entrar no time. Ele não é promessa, é realidade”, diz Pussieldi.

ANÁLISE: MARCUS MATTIOLI*

Foi um resultado fantástico. A gente começou essa história há 38 anos, quando ganhamos a medalha de bronze no revezamento 4 x 200 m livre nos Jogos de Moscou. Eles vieram abrilhantar nossa história com essa conquista gigante. Foi uma prova fortíssima, tanto que os três primeiros lugares nadaram abaixo do recorde mundial. Logo depois da prova, telefonei para o Djan Madruga, o Cyro Delgado e o Jorge Fernandes. Todos estavam felizes e emocionados.

Foi de arrepiar. A gente vivenciou isso também e sabemos o que eles estão sentindo. Nadaram na raia 7, poucos esperavam, mas ficou todo mundo incrédulo. O chinês lá do lado não entendia nada. Esse pessoal está bastante focado e acho que foi parecido com a nossa história. Fomos para a Olimpíada, não imaginávamos o pódio, mas ficamos em terceiro lugar. Melhoramos nosso tempo, foi algo fantástico. Vi a mesma coisas nesses meninos.

O Brasil está mostrando um trabalho de renovação. Temos excelentes técnicos, boa estrutura em clubes, e os resultados estão vindo. Na nossa época não tinha todo esse apoio que eles têm hoje. Quem nada bem na piscina longa, não necessariamente vai bem na curta. O contrário é mais fácil e, por isso, eu acredito neles.

Esses garotos têm muito futuro e acho que eles têm tudo para chegar em 2020, nos Jogos de Tóquio, e fazer grande apresentação. Vejo esse revezamento como favorito na Olimpíada e pode melhorar a nossa medalha. Isso seria o apogeu. Estamos torcendo e somos fãs de carteirinha deles. Teremos muitas alegrias com eles.

* CONQUISTOU MEDALHA DE BRONZE NO REVEZAMENTO 4 X 200 M LIVRE NOS JOGOS OLÍMPICOS DE MOSCOU, EM 1980.

 

 

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