Gregory Bull/AP
Ídolo canadense, Steve Nash acende a pira pan-americana em Toronto Gregory Bull/AP

BRASIL VAI À LUTA PELAS PRIMEIRAS MEDALHAS NO PAN DE TORONTO

País tenta ir ao pódio em modalidades como triatlo e judô

Nathalia Garcia e Paulo Favero, ENVIADOS ESPECIAIS A TORONTO, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 07h00

Após quatro dias de disputas da fase preliminar, os Jogos Pan-Americanos de Toronto começam para valer neste sábado, quando o Brasil estará na briga pelo pódio. O País tem como objetivo se garantir no Top 3 do quadro de medalhas, disputando com Canadá e Cuba para ver quem ficará atrás dos Estados Unidos na classificação geral, e usará a competição como termômetro para a Olimpíada do Rio, em 2016.

Com 590 atletas, a delegação é a maior que o Brasil já enviou para um evento esportivo fora do País e conta com nomes de peso, como o nadador Thiago Pereira, o ginasta Arthur Zanetti, Jaqueline, do vôlei, Fabiana Murer, do salto com vara, e os judocas Mayra Aguiar e Tiago Camilo. Mas também há apostas em jovens promissores, como a ginasta Flávia Saraiva, o nadador Matheus Santana e Marcus Vinícius D’Almeida, do tiro com arco.

A primeira prova depois da cerimônia de abertura, produzida pelo Cirque du Soleil e com Thiago Pereira como porta-bandeira da delegação brasileira, será o triatlo. A partir das 9h35 (horário de Brasília), 35 atletas enfrentarão 1,5 km de natação, 40,2 km de ciclismo e 10 km de corrida para ficar com o ouro. A brasileira mais cotada para o pódio é Pamella Oliveira, bronze em Guadalajara (2011).

O País também será representado por Beatriz Neres e Luisa Baptista. “A Pamella é esperança de medalha para a gente, a Luisa é mais nova, será uma atleta para o futuro, e a Bia também está fora da zona de medalha”, avalia Marco La Porta, chefe da delegação.

A prova K4 500 m será a única final da canoagem velocidade hoje, às 10 horas. O Brasil será representado por Ediléia Matos, Mariane dos Santos Silva, Ariela Cesar Pinto e Ana Paula Vergutz. O objetivo é conquistar a primeira medalha brasileira feminina na modalidade.

O nado sincronizado tentará melhorar o quarto lugar obtido na prova de rotina técnica, tanto no dueto quanto por equipes, e chega pressionado na rotina livre. “Temos uma coreografia muito forte e vamos com tudo para melhorar nossa classificação na prova”, afirma Luisa Borges, do dueto.

A partir das 15h35, a seleção brasileira masculina de ginástica artística estreia e já tenta atingir a principal meta no Pan: a medalha por equipes. Arthur Zanetti, Arthur Nory, Caio Souza, Francisco Barretto Júnior e Lucas Bitencourt se apresentarão nas barras paralelas, na barra fixa, no solo, no cavalo com alças, nas argolas e no salto.

O País integra a subdivisão 1, e terá de aguardar a conclusão da subdivisão 2, marcada para 20h35, para conhecer o vencedor. “O objetivo é tentar tirar a melhor nota para conseguir ajudar a equipe”, explica Zanetti, campeão olímpico nas argolas.

META OUSADA

Enquanto os ginastas se apresentam, as atletas da maratona aquática caem na água às 16h30 para disputar a prova de 10 km. O Brasil não conta com Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha, suas principais atletas, e aposta na juventude de Carolina Bilich.

No final da tarde, duas medalhas podem surgir com Renato Rezende, do BMX, e Caio Castro, dos saltos ornamentais. Eles são os mais cotados, mas outros atletas brasileiros também querem surpreender. “Quero ficar entre as três primeiras porque agora a competição vale medalha”, avisa Thaynara Morosini, do BMX.

No judô, a meta ousada de conquistar medalhas em todas as categorias será colocada à prova com Nathália Brígida (48kg), Érika Miranda (52kg) e Felipe Kitadai (60kg).

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Da igreja ao tatame, judoca Nathália Brígida sonha alto no Pan

Substituta de Sarah Menezes vive a expectativa da consagração

Paulo Favero - Enviado Especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 07h00

Caçula da seleção brasileira de judô, Nathália Brígida teve aulas com um padre faixa preta antes de despontar como revelação da modalidade no Brasil e desbancar a campeã olímpica Sarah Menezes na categoria 48 kg para confirmar presença nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá.

A menina cresceu em Atibaia, no interior paulista, e começou no esporte de uma maneira bem parecida com a de milhares de outras crianças. "Comecei a praticar judô aos cinco anos porque minha mãe queria que eu fizesse algo para descarregar as energias. Uns primos meus praticavam o judô e falaram que iria ajudar nisso. Foi assim que tudo iniciou", conta.

Só que o passatempo não durou muito e ela foi retomar anos depois, em um local bastante inusitado: a igreja da comunidade. "Eu era coroinha e o sacerdote era faixa preta de judô. Então ele montou um espaço com tatame de lona em uma das salas que tinha lá e dava aula para mim e para os outros coroinhas. Treinávamos aos sábados", relembra.

A paixão pela modalidade aflorou nesse momento e ela percebeu que pretendia seguir em frente. Nathália garante que gostava e ser coroinha e até hoje mantém sua fé na religião. "Eu gostava bastante, sempre frequentei a igreja. Atualmente tenho menos tempo e vou com menos frequência", explica a atleta de 22 anos, que mora em Minas Gerais.

Ela vai estrear na competição contra Andrea Gomez, da Venezuela. Além dela, estarão em ação hoje representando o Brasil os judocas Felipe Kitadai e Érika Miranda. O primeiro vai encarar o vencedor do duelo entre o mexicano Luis Damas e o colombiano John Futtinico. Já Érika estreia contra Maria Garcia, da República Dominicana.

O Brasil estará representado em todas as categorias de peso e a meta estipulado é conquistar 14 pódios. Segundo a técnica Yuko Fuji, a possibilidade é grande. "Observando o treinamento dos atletas, eu estava muito confiante. Agora fiquei ainda mais depois das atividades dos últimos dias. O Pan é parecido com os Jogos Olímpicos e dará experiência para os atletas se acostumarem com esse tipo de competição", diz a japonesa.

Nathália concorda com sua treinadora e espera corresponder à expectativa. "É uma competição importante para a minha carreira e vou dar o máximo para pegar a medalha."

3 PERGUNTAS PARA... Nathália Brígida, judoca da categoria 48 kg

1. Qual sua expectativa para a estreia nos Jogos Pan-Americanos?

A gente tem feito uma preparação muito forte, bem focada nos adversários e nos detalhes que estávamos errando. Temos também trabalhado muito a parte física e psicológica.

2. Você chega ao seu primeiro grande evento internacional. Como está sendo?

É muito importante, o legal é que é uma competição parecida com o sistema olímpico.

3.O que mais tem chamado a sua atenção nesses dias em Toronto?

É bom poder vivenciar esse clima dos Jogos. É um ambiente diferente e todos os atletas estão no mesmo lugar em busca de um sonho.

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