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Brasil aposta em técnicos do exterior por medalhas no Pan

Iniciativa contrasta com ideia da CBF e já mostra resultados

MARCIO DOLZAN, NATHALIA GARCIA E PAULO FAVERO, ENVIADOS ESPECIAIS A TORONTO, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 17h00

No futebol brasileiro, técnico estrangeiro ainda é um tabu. Apesar de dois clubes da Série A, São Paulo e Internacional, terem resolvido apostar em treinadores de fora do País, a CBF não quer nem ouvir falar em gringo comandando a seleção. A opinião da entidade contrasta com o que diversas confederações vem fazendo. E ao apostar em profissionais de fora deram um salto de qualidade.

Um bom exemplo é o rúgbi. Pouco difundido no Brasil até pouco tempo atrás, o esporte tem crescido desde que a seleção começou a apresentar bons resultados - o que coincidiu com o investimento no intercâmbio com profissionais de outros países. A Confederação Brasileira de Rugby decidiu apostar no argentino Andrés Romagnoli para treinar a seleção de Sevens. Ele assumiu no ano passado e, desde então, o time brasileiro tem conquistado resultados expressivos. Em junho, venceu cinco de seis partidas em um torneio disputado em Roma e terminou com o bronze.

“As informações sobre o esporte estão disponíveis para quem quiser aprender. A internet promove isso. Mas o olhar crítico, a didática e os detalhes técnicos e táticos são adquiridos com tempo e experiências dentro de competições”, diz Fernando Portugal, capitão do time. “O Andrés somou nesse aspecto. Ele tem experiência como jogador e como treinador em competições das quais o Brasil não participava. Necessitávamos dessa experiência.”

Romagnoli considera que a experiência que adquiriu atuando na Argentina pode ser sua principal contribuição ao Brasil. Ele afirma que não quer mudar o estilo de jogo brasileiro, mas fazer ajustes. “Temos apenas que adicionar algumas coisas. Um dos objetivos que coloquei quando cheguei é melhorar a parte defensiva. O Brasil tem muitas habilidades no ataque, mas a defesa ainda não é a melhor característica.”

O polo aquático tem o canadense Pat Oaten no comando do time feminino e o croata Ratko Rudic, no masculino. “São as atletas que entram e jogam. Está nas mãos delas. Existem muitos bons treinadores no Brasil, mas eu trago algo novo, assim como elas trazem algo pra mim”, destaca Oaten.

Sem preconceito. No Pan, o polo aquático vem tendo sucesso e são grandes as possibilidades de o Brasil conquistar medalha no masculino e no feminino. Para os atletas, mais do que ser estrangeiro, o currículo vencedor é o que faz a diferença. “Não tenho preconceito com alguém de fora, e ele se encaixou bem. A gente está no caminho certo”, diz Felipe Perrone, capitão da seleção. “O Rudic não é estrangeiro, é um cara quatro vezes campeão olímpico. O que ele fala, a gente faz.”

Principal nome do Brasil no Pan e na expectativa de se tornar o maior medalhista da competição em todos os tempos, o nadador Thiago Pereira treina nos EUA sob a batuta de Dave Salo e Jon Urbanchek.

Ele afirma, contudo, que o Brasil é bem servido de treinadores. “A minha medalha olímpica, minhas medalhas em Mundial e meus grandes resultados eu conquistei com um treinador brasileiro, que foi o Albertinho”, recorda. “Seja treinador do Brasil, americano ou de qualquer lugar do mundo, ninguém sabe tudo. Todos têm um pouquinho a ensinar, cada um tem a sua metodologia de preparação, cada um acredita na sua maneira de preparar os atletas.”

Outra modalidade que apostou no talento estrangeiro foi o handebol. O time feminino, favorito ao ouro no Pan, é comandado pelo dinamarquês Morten Soubak. Foi com ele que a equipe chegou ao título mundial há dois anos e faz o torcedor sonhar com o lugar mais alto do pódio no Rio, em 2016.

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