Felipe Dana/AP
Adriana Aparecida da Silva se esforçou, mas não conseguiu o bi na maratona, ficando com a medalha de prata Felipe Dana/AP

Brasil faz balanço positivo da 1ª semana dos Jogos de Toronto

Bom desempenho dos atletas faz crescer a esperança para o Rio-2016

Marcio Dolzan, Nathalia Garcia e Paulo Favero, enviados especiais a Toronto, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 17h00

Algumas modalidades tiveram um bom desempenho nos Jogos Pan-Americanos de Toronto até agora, como judô, canoagem e natação, mas na Olimpíada do Rio a disputa será mais acirrada. O torcedor não verá medalhas em profusão nessas modalidades. Por outro lado, os envolvidos são unânimes em apontar que a disputa no Canadá serviu de teste para os atletas.

Um dos esportes de maior ascensão recente e que já pensa em medalha nos Jogos Rio-2016 é o polo aquático, graças sobretudo à “importação” de atletas e treinador. Do elenco que perdeu a decisão do Pan para os Estados Unidos, cinco eram de outros países, além do técnico croata Ratko Rudic. “A experiência em Toronto foi muito boa, e pode ajudar no prosseguimento da preparação”, avaliou o técnico, que tem quatro títulos olímpicos.

“O objetivo é uma medalha. O Brasil não participa da Olimpíada desde 1984 e queremos voltar com uma medalha”, afirma o capitão Felipe Perrone. Brasileiro naturalizado espanhol, ele disputou os Jogos de Pequim e Londres pelo país ibérico. “O desafio é grande, mas pode acontecer como aconteceu na Liga Mundial, em que ficamos em terceiro. Acho que maneira que a gente tem de jogar está bem claro.”

O mesmo não é esperado no badminton. Medalha de prata nas duplas tanto no masculino quanto no feminino, além de bronze na dupla mista, a modalidade será apenas coadjuvante no Rio, como admite a própria confederação brasileira.

Duas são as razões principais: o Brasil só tem vaga assegurada no individual – que terminou sem pódio em Toronto – e os Jogos terão a presença dos países asiáticos, que dominam o esporte. “Nossa meta de medalha é em 2024”, reconhece o superintendente de Gestão Esportiva da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd), José Roberto Santini Campos.

O tiro com arco, por sua vez, conquistou medalha após anos de jejum. Para Vicente Fernando, presidente da Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTArco), o desempenho foi satisfatório. “A reposta que temos é de que estamos no caminho certo para conquistar uma medalha em 2016. Acho que temos sempre de continuar aperfeiçoando a técnica. Faltam detalhes a serem corrigidos.”

No judô, a concorrência aumenta numa Olimpíada pela participação de potências como Japão e França. Mesmo assim Ney Wilson, gestor técnico de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô, está otimista. “A gente sai confiante e fortalecido, porque esse foi o último grande laboratório antes de 2016.”

Sempre otimista, o ministério do Esporte considera que os bons resultados conquistados até aqui terão reflexo no Rio-2016. Mas para o secretário executivo Ricardo Leyser, o grande achado destes Jogos são os atletas mais novos. “Aposto muito na nova geração.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Técnico Jesus Morlán coloca a canoagem nacional em outro nível

Espanhol acredita na possibilidade de o Brasil ao pódio no Rio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 17h00

O espanhol Jesus Morlán chegou em abril de 2013 para ser técnico da seleção brasileira de canoagem, e em pouco tempo de trabalho vem colhendo bons frutos. Mas apesar do sucesso no Pan de Toronto, onde a canoagem de velocidade conquistou duas medalhas de ouro, três de prata e quatro de bronze, a ordem é manter os pés no chão.

O treinador cuida apenas das canoas, e imprime um ritmo forte de treinos, tanto que no dia seguinte da volta ao Brasil os medalhistas já estavam remando. “Saio do Pan como vim, não muda nada. Vamos para casa e voltamos a treinar. Não tem meio dia livre, sinto muito.”

Ele diz que o campeão é moldado no dia a dia, com suor e trabalho. “É um estilo verdadeiro. Os alemães não estão tranquilos, estão trabalhando duro. Os russos também. Não acredito em contos ou romances, acredito no cronômetro.”

Fugindo da fama, ele se considera apenas um treinador normal e que trabalha muito. “Aceitei o desafio porque sabia que havia atletas com nível para melhorar no futuro. Não aceitaria uma oferta de trabalho sem atletas por dinheiro nenhum. Não sou um mercenário, sou um trabalhador.”

Ele tem nas mãos Isaquias Queiroz, que conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata no Pan. Para ele, o atleta terá de entender que pode chegar longe e para isso terá de abrir mão de muita diversão. “Ele tem de renunciar a muitas coisas. Não tem a qualidade de vida de um menino de 21 anos. Precisa falar não para muita coisa, mas faz parte.”

Morlán acha que o menino pode chegar longe na canoagem e garante: o projeto é para que o Brasil suba no pódio no próximo ano. “O que justifica tudo é uma medalha olímpica. Se no ciclo antes dos Jogos ganha um monte de coisa e no Rio não ganha a medalha, errou. O Isaquias está entre os cinco melhores do mundo, já foi campeão mundial. Mas é preciso medalha no Rio.”

Ele sabe que terá pouco tempo para preparar uma equipe forte, mas aposta na geração talentosa que vem dando alegrias para o Brasil na modalidade. Por isso, pensa todos os dias em como aprimorar ainda mais seus pupilos. “Eu vim aqui para treinar os meninos a fim de ter o sonho real de conseguirmos uma medalha olímpica. Acho que estamos no grupo de favoritos.”

Tudo o que sabemos sobre:
jogos panamericanosCanoagem

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Badminton celebra feito histórico com conquista de três medalhas

Equipe comemora o melhor desempenho do País nos Jogos

Marcio Dolzan, enviado especial a Toronto, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 17h00

As três medalhas conquistadas pela equipe brasileira de badminton nos Jogos Pan-Americanos de Toronto representaram o melhor desempenho do País na modalidade na história da competição. E isso foi comemorado pela confederação brasileira pelo aumento da visibilidade do esporte.

“A gente entende que o patrocínio só virá dessa forma”, pontua José Roberto Santini Campos, superintendente de Gestão Esportiva da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd). “Ainda bem que estão descobrindo o badminton. Mas é um pouco tarde.”

Sem muitos recursos, a CBBd precisa escolher a dedo as competições as quais mandará representantes. A dupla feminina de prata, Lohaynny e Luana Vicente, por exemplo, não poderá disputar o Mundial de badminton que acontece esta semana em Jacarta, na Indonésia, por falta de verba.

“A confederação não conseguiu pagar o Mundial para a gente, mas em compensação vai bancar outros dois torneios”, diz Lohaynny. “Acaba sendo melhor, porque no Mundial poderíamos pegar uma adversária difícil logo na estreia. Assim temos mais chances de pontuar”, complementa Luana.

A pontuação diz respeito ao ranking da modalidade, que poderá garantir uma vaga olímpica à dupla. Por ora, o Brasil tem direito a duas vagas, mas somente no torneio individual.

No masculino, Daniel Paiola decidiu bancar do próprio bolso a disputa do Mundial. Ele diz que consegue se sustentar apenas com o esporte, mas reconhece que é uma exceção. “Os que têm a Força Aérea apoiando e os que têm clubes – como eu, que tenho o Clube Atlético Paulistano –, mais o Bolsa Atleta, vivem do badminton. Mas ainda é um grupo muito seleto.”

Tudo o que sabemos sobre:
jogos panamericanosbadminton

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.