Hugo Silva/Divulgação
Maya está acompanhada do surfista Carlos Burle em Portugal Hugo Silva/Divulgação

MAYA GABEIRA ENCARA SEUS FANTASMAS ATRÁS DA ONDA PERFEITA

Surfista volta a Nazaré para mostrar que está bem preparada para o desafio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2015 | 07h00

Há dois anos, Maya Gabeira quase morreu ao cair da prancha em uma onda gigante na praia do Norte em Nazaré (Portugal). Agora ela está de volta ao local para encarar de frente seus medos e traumas. "Durante todo este tempo, desde 2013, tenho me preparado para estar aqui, pronta, para surfar uma onda, que pode ser a onda da minha vida. Eu acredito que estou bastante preparada", diz a garota.

As imagens do acidente rodaram o mundo naquele 28 de outubro de 2013. Maya pegou aquela que seria a maior onda de sua vida, mas, ao cair da prancha, começou a tomar uma série de ondas na cabeça. Carlos Burle, também surfista de ondas grandes, pegou o jet esqui para fazer o resgate, mas tinha dificuldade em se aproximar da amiga. Então ele saltou da moto aquática e carregou Maya, já desacordada, até a areia da praia.

As cenas foram chocantes. A surfista foi levada de ambulância para o hospital e teve apenas um tornozelo quebrado. A partir daí, passou a ver aquele local de outra forma e entender suas limitações. "Acho que aprendi a me conhecer um pouco mais. Tenho conseguido compreender melhor o meu corpo e os meus limites, coisa que há dois anos era bem diferente. E, consequentemente, tenho cuidado mais de mim mesma, tanto física, quanto emocionalmente."

Desde que chegou a Nazaré, junto com Burle e Pedro Scooby, Maya tem aproveitado para pegar ondas na praia do Norte. De outubro até fevereiro são os meses que costumam ter grandes ondas na região, sendo que este mês é o mais indicado, mas até agora a previsão ainda não se confirmou.

"Não tenho criado muitas expectativas e, por enquanto, está sendo como eu pensava. Em 2013, gostei muito de vir a Portugal, que é um país que eu ainda não conhecia, e fiquei encantada pela receptividade de todos. Nesta volta a Nazaré não tem sido diferente. Claro que quando aparecer uma ondulação grande, tudo vai mudar, mas, agora, estou tranquila." Quando ela fala em ondulação grande, significa ondas maiores que 20 metros. Em 2011, Garrett McNamara pegou uma onda de 24 metros, homologada como recorde mundial. No mesmo dia do acidente de Maya, Burle pegou uma onda que tinha entre 32m e 35m, segundo estudo científico de Miguel Moreira, professor da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, mas o recorde não foi oficializado e isso causou polêmica.

Os surfistas sabem que julgar o tamanho de uma onda é subjetivo, e os próprios critérios para medir não são muito claros. Mas uma certeza eles têm: grandes ondas se formam em Nazaré por causa do relevo submarino único. Um cânion submerso termina a 500 metros da costa e proporciona grandes ondas no local. Isso tem atraído centenas de corajosos atletas e milhares de turistas todos os anos.

Para os próximos dias, a previsão não é tão animadora, mas Maya sabe que as grandes ondas vão aparecer em breve. "Ainda não temos nada em vista. Eu e o Burle temos acompanhado as previsões pela internet, mas ainda não apareceu nenhuma possibilidade de ondas grandes, com cerca de 15 metros. Por um lado, está sendo bom, pois temos conseguido treinar bastante nesta onda, que é uma das mais complexas e difíceis do mundo", explica Maya.

Para superar o trauma do acidente, a surfista pensou em todos os detalhes para não ser surpreendida novamente em Nazaré. Ela explica que o tow-in é um esporte de equipe. Nele, o atleta é rebocado por um jet ski, para ganhar velocidade para entrar nas ondas grandes. "Eu não surfo sem depender do Burle e vice-versa. Mas não é só ele. Existe toda uma estrutura que foi fundamental para me ajudar a conseguir estar de volta aqui na Praia do Norte", diz. Maya aponta fisioterapeutas, psicólogo, treinador de natação, personal trainer e diz que todos foram importantes nesse processo. 

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Mineirinho tenta chegar à liderança na décima etapa do Mundial

Brasileiro quer tirar a vantagem de Fanning em Peniche

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2015 | 07h00

Adriano de Souza, o Mineirinho, está firme na briga pelo título mundial de surfe e vai a partir desta terça, quando começa a décima e penúltima etapa do Circuito, em Peniche (Portugal), tentar tirar a diferença de pontos para o líder Mick Fanning, da Austrália. Ele está a apenas 450 pontos e só precisa ficar à frente do rival na etapa para chegar ao Havaí dependendo apenas das próprias forças para a conquista inédita.

O atleta venceu a competição em Portugal em 2011 e tem ótimas recordações do local. "Gosto muito de lá e espero continuar com esse ritmo apresentado nas últimas etapas, quando passei para as semifinais. Só que dessa vez quero vencer, estou com saudade e cairia em uma ótima hora", avisa.

A janela de espera para a realização do campeonato em Supertubos vai de terça até o dia 31. Além de Mineirinho, outros oito brasileiros estão na disputa: Gabriel Medina, Filipe Toledo, Italo Ferreira, Wiggolly Dantas, Jadson André, Miguel Pupo, Tomas Hermes e Caio Ibelli. Só Medina e Filipinho ainda têm chances de título mundial na temporada.

"No surfe nada pode ser descartado e, enquanto tiver chances matemáticas, você tenta até o fim. Acredito que eles estejam depositando suas esperanças nessas fichas, apesar de ambos saberem que será muito difícil", explica Mineirinho, que tem uma boa vantagem em relação aos dois, mas sabe que não pode ser eliminado precocemente para não ver os adversários encostarem.

No ano passado, Gabriel Medina chegou em Peniche com a chance de ser campeão mundial antecipadamente, mas perdeu para Brett Simpson e viu Fanning ganhar a etapa e se aproximar. Desta vez, é o australiano que está em boas condições, podendo até ser campeão mundial pela quarta vez em Portugal. Para isso, precisa vencer e torcer para que Mineirinho não passe da terceira fase.

Mas o brasileiro não está disposto a deixar o experiente surfista comemorar. E se apega às ótimas memórias que tem da etapa. "Portugal foi um marco porque eu nunca tinha vencido um evento com ondas grandes e tubulares. O ano de 2011 foi o melhor que eu fiz até hoje. O título aqui mostrou a minha evolução e deixou claro que eu tinha chances de disputar de igual para igual com os grandes nomes, ainda mais em uma final contra o Kelly Slater."

Na praia de Supertubos, a torcida fica bem próxima do local de competição e as ótimas ondas tubulares, tanto para a esquerda quanto para a direita, fazem a alegria dos surfistas. A cidade de Peniche recebe muitos turistas por causa do surfe e a etapa é bastante concorrida pelo público, principalmente aos finais de semana. A expectativa é de grande público.

É nesse cenário que os brasileiros vão tentar brilhar. A ótima temporada ajuda Mineirinho a esquecer a anterior, quando se contundiu e não disputou a etapa no Havaí. Para ele, a sensação é incrível. "Certamente é bem melhor que a dos últimos anos, quando estava fora da briga, e em relação ao ano passado, quando estive machucado. É uma ótima sensação poder estar tão perto na briga nesta reta final. Que continue assim e eu chegue em Pipeline em condições de sair campeão de lá."

O surfista nunca escondeu que seu grande sonho é o título mundial e, desta vez, o mais experiente dos surfistas brasileiros da elite acha que o momento chegou. "Vim de um período difícil, com lesões e outros problemas, e consegui me manter calmo e dedicado. Venho trabalhando para isso há dez anos e acredito que estou no melhor do meu condicionamento, tanto físico quanto mental", conclui o atleta, que vai encarar Kolohe Andino e Frederico Morais na primeira fase.

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Brasil recebe três eventos e pode ter mais atletas na elite do surfe

Três brasileiros já estão confirmados na elite em 2016

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2015 | 07h00

Com atletas de 24 países, começa nesta segunda-feira em Santa Catarina o Red Nose Pro Florianópolis, que distribui 6.000 pontos para o campeão e é a primeira etapa de três em sequência que serão realizadas no País. O evento é importante porque conta pontos para o QS, a segunda divisão do Circuito Mundial, onde se consegue o acesso para a elite na próxima temporada.

Os surfistas brasileiros estão fazendo bonito. Tanto que, antecipadamente, Alex Ribeiro, Caio Ibelli e Alejo Muniz já conseguiram matematicamente a vaga – os outros dois são Kolohe Andino (EUA), que pode se manter na elite se ficar entre os 22 no WCT, e Jack Freestone (Austrália). "Esse ano vim com outra cabeça, mais maduro e confiante", diz Alex Ribeiro.

O paulista venceu o QS 10.000 em Saquarema neste ano e garante que está motivado para a competição no Costão do Santinho. "A expectativa é grande. Estou indo com tudo, com objetivo de vencer essa etapa no lugar onde já venci o Sul-Americano Pro Júnior. É gratificante voltar a competir lá. Estou com equipamentos bons, treinando bem a parte física e estou me sentindo preparado para buscar um grande resultado. Gosto da onda de lá. É forte, não tão longa, parecida com Guarujá, onde treino bastante. É uma onda que me sinto bem."

Depois da etapa em Florianópolis, a divisão de acesso terá ainda duas etapas brasileiras antes de ir para o Havaí: o Mahalo Surf Eco Festival, em Itacaré, e o QS 10.000 de São Paulo, em Maresias. É a chance para outros atletas colocarem um pé na elite no próximo ano.

VEJA A CLASSIFICAÇÃO DO FEMININO

 

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