Nova rota deixa prova sem favoritos

Com a mudança no trajeto da corrida deste ano, com uma forte descida no Pacaembu e a final no Obelisco do Ibirapuera, a SS pode apresentar surpresas

VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h04

Apontar um favorito para a 87.ª edição da São Silvestre é um desafio. Há um pelotão de elite composto por atletas mais conhecidos que possuem chances de cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, mas, como ninguém tem absoluta certeza da eficiência da estratégia que utilizará, todos evitam falar em favoritismo. Tudo por causa da alteração do percurso de 15 quilômetros utilizado desde 1991.

A maior esperança brasileira na prova, o tricampeão Marilson Gomes dos Santos, preferiu não apontar nomes dos principais rivais. "A gente vai ter de esperar para ver", pondera. No entanto, o brasileiro mostra respeito a um tradicional rival, o queniano Martin Lel, tricampeão da Maratona de Londres.

"Ele vai correr a Maratona de Dubai em janeiro e, nessa altura, tem de estar bem preparado", ressalta o bicampeão da Maratona de Nova York. "Mas todos que estão aqui têm marcas expressivas, como o Mathew Kisorio, que corre a meia maratona em 58 minutos. Os africanos estão entre os favoritos."

Marilson admite que em 2011 não contará com uma vantagem importante. "Um dos mais prejudicados (com as mudanças) com certeza fui eu. Nas sete São Silvestres nas quais fui pódio - três vezes campeão, duas vezes segundo lugar, duas vezes quarto colocado - tinha um conhecimento muito grande do percurso. Sem dúvida era uma vantagem que eu tinha e vou deixar de ter", constata.

O brasileiro faz outra ponderação. Com a disputa tardia dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara - o evento foi realizado em outubro -, Marilson precisou descansar em um momento no qual já estaria treinando para a São Silvestre. "Estou apto, bem para correr, mas não tanto quanto queria", admite.

Nem todos lamentam as mudanças do percurso, que agora terá a linha de chegada transferida da Avenida Paulista para o Obelisco do Ibirapuera. Damião Anselmo de Souza acredita que a nova rota vai lhe favorecer. "Eu não sou tão bom de subida", diz. "E, na descida, a gente vai embolando." O corredor, no entanto, evita falar de favoritos. Ressalta que todos os africanos se prepararam bem para a corrida e não podem ser negligenciados.

Entre os estrangeiros, a cautela também prevalece. "Descidas não são minha especialidade", admite o queniano Martin Lel, que espera uma São Silvestre difícil. Ele é especialista em subidas e mostrou respeito ao adversário Marilson, a quem chama de "dos Santos". Lembra que sempre foi um forte oponente na Maratona de Nova York. "Mas falar sobre quem vai vencer, é difícil. Na corrida é que vamos ver quem é quem."

O também queniano Barnabas Kosgei - campeão mundial de cross country em 1997 e atual bicampeão da Volta da Pampulha - competiu pela primeira vez no ano passado e está consciente das mudanças de percurso. "Acho que no sábado (amanhã) haverá chance para pessoas diferentes (vencerem)". Mas nem tudo é seriedade. Mesmo nos treinos finais no Parque do Ibirapuera, há espaço para a descontração e o contato dos favoritos com corredores anônimos.

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