Nova tática do Santos: o silêncio

Mancini quer preservar o elenco, abatido pela eliminação na Copa do Brasil e pela derrota para o Corinthians

Sanches Filho, O Estadao de S.Paulo

30 de abril de 2009 | 00h00

O Santos implantou a lei da mordaça até o jogo de domingo contra o Corinthians, no Pacaembu, na decisão do título paulista. Os jogadores estão proibidos de dar entrevistas até por telefone. A decisão partiu do treinador, após o primeiro contato com o elenco, na terça-feira cedo, no Centro de Treinamento Rei Pelé. Ele percebeu que a maioria dos atletas estava abalada pela eliminação na Copa do Brasil, agravada pela derrota por 3 a 1 diante do Corinthians, na Vila Belmiro, domingo, no primeiro jogo das finais.No lugar de um jogador, Mancini, que falara na manhã de terça-feira, voltou à sala de imprensa ontem. Ele insistiu que a determinação ?partiu de cima? e que é preciso respeitar. Ainda ficou irritado com a insistência dos repórteres em perguntar sobre o silêncio dos atletas. Até ameaçou deixar a sala de entrevistas. "Será que nunca foi feito isso tipo de coisa no futebol?", questionou. "Essa pergunta não tem de ser feita para mim." Uma fonte próxima a Mancini revelou que ele chegou a comentar, na manhã de terça-feira, que estava difícil encontrar um jogador com condições emocionais para atender à imprensa. Por isso, o treinador resolveu quebrar o hábito de falar apenas na véspera de jogo e às sextas-feiras quando a partida é no domingo, e deu entrevista no lugar de Madson na terça. A versão oficial é de que o presidente Marcelo Teixeira determinou a implantação da lei do silêncio ao sentir os atletas fragilizados na reunião com o grupo. O dirigente completou 43 anos e compareceu ao CT para comemorar a data com jogadores. Emocionado, até chorou. Porém, o supervisor de futebol Ocimar Bolicenho afirmou ontem que a diretoria não tem nada a ver com o assunto.As restrições ao trabalho da imprensa começaram logo após o retorno da delegação de Maceió, onde o time empatou por 0 a 0 com o CSA. Na capital alagoana, Mancini fez uma reunião com a comissão técnica e a assessoria de imprensa. Inicialmente foram proibidas entrevistas exclusivas e fora do CT Rei Pelé. Com as declarações de Kléber Pereira reclamando de ter viajado e nem ficado no banco diante do CSA, gerando um início de crise, o técnico sentiu o risco. A lei da mordaça vinha funcionando em relação a Neymar. Temendo o efeito negativo de uma superexposição, o garoto já vinha sendo blindado. Ele já atuou 14 vezes no time principal, marcou quatro gols e, além das poucas palavras que diz ao sair de campo, deu apenas uma entrevista coletiva, monitorada de perto pelo seu pai e pela assessoria de imprensa do clube. Agora, para criar um fato novo, a medida foi estendida a todo o elenco.CONFIANÇAÚnico a falar, Mancini repetiu ontem que o Santos vai ser campeão, domingo, no Pacaembu. "Acredito muito numa virada porque estamos dentro do futebol e o futebol sempre nos reserva surpresas", afirmou o técnico.Já o preparador físico Flávio de Oliveira procurou se esquivar da pergunta sobre o sucesso de seu trabalho com Ronaldo, quando trabalhava no Corinthians, mas acabou respondendo. "Para mim não foi surpresa. Ele é um cara sensacional e trabalhava até mais que o necessário."

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