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Costumo começar as crônicas pelo título. Hábito antigo, sistema que pra mim funciona para ordenar as ideias e faz fluir as frases com clareza. Pois na hora em que batucava o "olho" - esse quadradinho ao lado com detalhes sobre o tema do dia -, imediatamente vieram à memória versos de De volta pro aconchego, clássico lindo de Dominguinhos que ficou melhor ainda com a Elba Ramalho. Lembra? "Estou de volta pro meu aconchego/Trazendo na mala bastante saudade/Querendo um sorriso, um abraço sincero/Pra aliviar meu cansaço..." Arrepia.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2014 | 02h03

E não é que neste Dia dos Pais três figurinhas carimbadas retornam para o abrigo de velhos e conhecidos refúgios? Robinho desfilará na Vila Belmiro, onde uma década atrás infernizou rivais com pedaladas. Kaká se apresenta para os são-paulinos no Morumbi. E Felipão volta a sentar no banco do Grêmio após 18 anos. Não é exagero afirmar que todos são crias das casas.

O destaque para esses retornos tem lado positivo e outro negativo, como muito da vida. Bacana que três times tradicionais e com pretensões atrevidas no Brasileiro contem com personagens nos quais confiam. Nos damos melhor com quem temos familiaridade, intimidade. Com gente nossa. Não será surpresa se o público nos estádios ficar acima da média. A expectativa em torno deles é grande.

Ao mesmo tempo, não se trata de novidades. Não é como o público do Real Madrid ir ao Bernabéu para ver a estreia de Navas, Kroos, James Rodriguez, as contratações deste verão europeu. Sem contar as estrelas de primeira grandeza que estão no elenco. Não equivale à curiosidade dos alemães quando, na temporada passada, desembarcou em Munique o espanhol Pep Guardiola para comandar o Bayern então campeão de tudo.

Essas extravagâncias ficam para europeus, que são finos e têm dinheiro a jorrar pelo ladrão - ao menos as potências. Para nós, como se diz por aí, é o que temos para o momento. Você pode considerar pobre, repetitivo, e não contesto. Falta-nos o repertório das grandes companhias de espetáculo em que se transformaram equipes de ponta do hemisfério norte. Estão à frente, já faz bom tempo, e sempre avançam.

O interesse que Robinho, Kaká e Felipão despertam, mesmo que já tenham passado do auge da carreira, revela o óbvio: o torcedor daqui carece de referências, de ídolos - dentro e fora de campo -, de pessoas que lhes tragam esperança de conquistas. Ou, na pior das hipóteses, de um bom passatempo. Por isso, tudo que sair do lugar-comum em que se afundou a rotina do futebol de cá terá repercussão, provocará rumor, mexerá com o público. A prova fica para o espaço que o trio ocupou em manchetes nos últimos dias.

Qual deles enfrentará desafio maior nessa réentrée (francês é chique, que também é galicismo)? Na teoria, Felipão, que ficará à beira do gramado. Em primeiro lugar, por se tratar do duelo com o Internacional - nem precisa ser gaúcho para imaginar o peso de um Gre-Nal. Conta demais. Além disso, pesam sobre o treinador os 7 a 1 que a seleção tomou da Alemanha um mês atrás. Por mais que desvie o assunto, taí sombra que o acompanhará, sabe-se lá por quanto tempo. O tricolor gaúcho surge como o porto seguro para o calejado mago da bola mostrar que tem fôlego.

No nível intermediário coloco Kaká. Não por ele, que se tornou querido pela torcida à medida que espichava a aventura na Europa. Mas pelo time. O São Paulo derrapa na Série A, aos poucos perde contato com os líderes e há impaciência. Que não seja nos ombros de Kaká.

Robinho encaixa-se num Santos agitado nos bastidores e com relativa calma em campo. Embora não seja uma maravilha, tem potencial para brigar por vaga no bloco de cima; o título parece mais distante. Por isso, a tarefa inicial do ídolo que volta não deve ter sobressaltos. Por ora.

Torço para que tornem o domingo agradável, pois o anterior foi um desastre. E que "mergulhem na felicidade sem fim", como na canção.

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