Novas casas do esporte a motor

O circuito de Silverstone, aquele que sediou a corrida de abertura do primeiro Mundial de Fórmula 1, em 1950, até o ano passado estava descartado pelos organizadores do Mundial e, provavelmente, fadado a viver das categorias de acesso e corridas regionais. Como sede do GP da Inglaterra, ele havia sido trocado por Donington Park depois de várias tentativas frustradas de negociações entre Bernie Ecclestone e figuras importantes do automobilismo britânico que dirigem o British Racing Drivers Club, entidade que dirige o autódromo, hoje sob a presidência de Damon Hill. Mas quando a administração está nas mãos de gente que trata o esporte como deve ser tratado e trabalha com a dedicação dos ex-pilotos, comissários, fiscais de pista e donos de equipes do automobilismo britânico que atuam como voluntários no BRDC, tudo pode ser conseguido.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

A velha pista, que já tinha passado por uma remodelação grande 16 anos atrás, foi refeita, eliminando-se duas curvas famosas - a Abbey e a Bridge - e aumentando o traçado, de 5.141 para 5.901 metros. Inaugurado oficialmente ontem, Silverstone passa a ter um "S"" de alta, uma nova curva mais lenta e uma reta quase tão longa quanto a Hangar, que é o ponto de maior velocidade. A Arena Silverstone ganha em segurança, sem perder a característica de alta velocidade média. De autódromo rejeitado, passa a ser modelo que se contrapõe às pistas da era Herman Tilke, quase todas sem graça.

O GP da Inglaterra acontece no dia 11 de julho, data da final da Copa do Mundo da África do Sul, mas a pista será mesmo inaugurada já neste domingo, e o primeiro brasileiro a andar nela é Felipe Nasr, também estreando na Fórmula 3, sua segunda categoria internacional, depois de ter conquistado o título do Europeu de Fórmula BMW no ano passado.

A Stock Car também inaugura um novo circuito neste fim de semana. E, pra variar, no Rio Grande do Sul, que já tinha outros três autódromos - Tarumã, Guaporé e Santa Cruz, por ordem de idade. O Velopark, a 30 quilômetros de Porto Alegre, nasceu da paixão de dois amigos, Jhonny Bonilla e Felipe Johannpeter, que resolveram criar uma pista de kart com o conceito de parque e o objetivo de proporcionar diversão para a família toda.

O complexo conta com uma pista infantil de kart, uma reta de arrancada, que é muito popular no Sul, uma pista de terra e estacionamento para 6.500 carros. Em dois anos de funcionamento, eles já contam com 75 mil clientes cadastrados (os praticantes amadores de kart). Para se ter uma idéia da paixão que os gaúchos têm pelo esporte a motor, o Velopark inventou ainda um carrinho tipo Stock Jr, com motor Fiat de 100 HP e pesando 480 quilos, ao qual deu o nome de Veloce, para tentar atrair pessoas comuns que querem conhecer melhor o automobilismo. Em um mês de aulas de pilotagem, 160 pessoas já fizeram o curso.

Conquistar a Stock Car foi um objetivo perseguido nos últimos dois anos. A pista, por enquanto, mede 2,162 quilômetros, mas, na sua configuração definitiva, terá 4,1 quilômetros e até promessa de uma curva tipo Eau Rouge, de Spa-Francorchamps, que a topografia do terreno favorece (curva extremamente veloz, em subida). A "Eau Rouge"" gaúcha já está em planta. E tudo isso para 2012. Apesar de ainda ser uma pista bastante curta, tem duas retas longas e oito curvas. Dizem os pilotos que há, pelo menos, três pontos de ultrapassagem e uma freada que reduz a velocidade de 250 para 54 km/h, pela telemetria da equipe Vogel.

Bem mais no estilo de pista norte-americana do que europeia, o Velopark cria uma aproximação do público aos pilotos e carros. Em determinada arquibancada, estão separados apenas por um alambrado. Todas as arquibancadas são fixas, de concreto, com capacidade para 30 mil pessoas.

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