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Novas regras do beisebol: sem cuspir, sem brigas e muitos testes

Arremessadores vão usar lenços molhados nos bolsos para impedir que lambam os dedos

James Wagner, The New York Times

26 de junho de 2020 | 05h00

Teste para detectar o novo coronavírus todos os dias para jogadores e treinadores. Lenços molhados nos bolsos dos arremessadores para impedir que eles lambam os dedos. Máscaras enquanto estiverem no banco e bullpen para aqueles que não são jogadores. E não há transporte público para o estádio, comida para todos espalhada pela mesa, saunas, brigas, cuspir, tabaco de mascar ou sementes de girassol.

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Essas estão entre as muitas novas regras que as equipes da Major League Baseball (MLB) terão que seguir para a reduzida temporada de 2020. Nesta semana, após meses de discussões sobre salários e quantas partidas jogar, a MLB e o sindicato dos jogadores finalizaram seu plano de temporada, incluindo um manual de 113 páginas que conduzirá essa temporada de 60 jogos sem precedentes e sem fãs nas arquibancadas. "Há muitas coisas para se acostumar", disse Seth Lugo, arremessador do New York Mets.

Ao contrário de outras ligas profissionais que jogarão em um único ambiente isolado, a MLB jogará nos estádios das equipes, com a temporada regular começando em 23 ou 24 de julho, após uma segunda rodada de spring training, a partir de 1º de julho.

Mesmo antes de qualquer jogador se apresentar oficialmente em seus campos, várias equipes - incluindo Philadelphia Phillies, Toronto Blue Jays, Colorado Rockies e New York Yankees - registraram que os exames para covid-19 entre seus jogadores e funcionários deram positivo.

"Este é um momento desafiador, mas enfrentaremos o desafio continuando a trabalhar juntos", dizia parte da introdução ao manual da MLB, cuja cópia foi obtida pelo The New York Times. "A adesão aos protocolos de saúde e segurança descritos neste manual aumentará nossa probabilidade de obter sucesso".

Michael Saag, especialista em doenças infecciosas da Universidade do Alabama, em Birmingham, elogiou o plano de saúde e segurança do beisebol, chamando-o de "bastante detalhado" em uma entrevista por telefone na quarta-feira. "O risco de um jogador ser infectado, com base no que estão planejando, é maior de acontecer se ele estiver em comunidade do que durante atividades relacionadas ao beisebol", disse Saag.

Um comitê de quatro pessoas, que inclui médicos nomeados pela liga e pelo sindicato dos jogadores, supervisionará a implementação do plano. Cada equipe deve designar um indivíduo para servir como responsável na luta contra o novo coronavírus para garantir que as regras sejam cumpridas.

Para facilitar os testes, o Laboratório de Pesquisas e Testes de Medicina Esportiva, que normalmente ajuda a realizar os testes antidoping da liga, converteu uma parte de suas instalações em Salt Lake City para fazer testes que detectam o novo coronavírus, prometendo a entrega dos resultados em 24 horas.

O manual designa os diferentes níveis de pessoas: o Nível 1 consiste em jogadores e profissionais em campo, como treinadores e árbitros. O Nível 2 corresponde a outros profissionais, como integrantes da diretoria ou equipe de força e condicionamento. Já o nível 3 abarca outros trabalhadores necessários, como equipes de limpeza, que não entram em contato com jogadores e treinadores.

Antes do início do spring training, os jogadores e a equipe principal devem ser examinados quanto a sintomas e possível exposição ao vírus, além de um exame separado que inclui um teste swab para detectar o novo coronavírus com coletas oral/nasal e uma amostra de sangue para um teste de anticorpos.

Durante o spring training e a temporada, jogadores e funcionários selecionados terão suas temperaturas e sintomas verificados duas vezes por dia nas instalações do clube. Eles também receberão termômetros digitais orais para autotriagem todas as manhãs. Aqueles com temperatura igual ou superior a 38 graus não poderão entrar nas instalações da equipe.

Jogadores e equipe de campo serão testados para saber se foram infectados a cada dois dias, enquanto outros funcionários-chave serão testados "várias vezes por semana". O teste de anticorpos ocorrerá em torno de uma vez por mês.

Se alguém tiver um resultado positivo para o vírus, receberá assistência médica e precisará se autoisolar. O rastreamento de contatos será realizado e as instalações da equipe serão desinfetadas.

A equipe médica das equipes deve identificar os jogadores e os principais integrantes da equipe que correm maior risco de contrair o vírus - por idade ou histórico médico, por exemplo - ou que moram com alguém que está em maior risco. Esses indivíduos poderiam receber tratamento especial, incluindo planos de viagem separados.

Se um jogador que for do grupo de risco quiser optar por não jogar nesta temporada depois de consultar o médico da equipe, ele será colocado na "Lista de Lesões Relacionadas à covid-19" e ainda receberá pagamento. A lista da covid-19 não terá limites de tempo e também será aberta a jogadores cujos exames deram positivo para o vírus, foram expostos a um caso confirmado ou apresentam sintomas.

O manual inclui 11 páginas de diagramas para garantir o distanciamento social durante treinamentos em campo e no banco, gaiolas de rebatidas e bullpens. Entre as outras medidas no manual:

- Os jogadores devem manter-se a pelo menos 2 metros um do outro na sede do clube, e deve ser fornecido espaço adicional, se necessário.

- Os jogadores são "desencorajados, mas não proibidos" de tomar banho no clube.

- Jogadores inativos são solicitados a se sentar com 2 metros de distância entre eles nas arquibancadas.

- A comida do clube deve ser servida em recipientes individuais descartáveis.

- Jogadores (ou treinadores) que deixarem suas posições para discutir com árbitros ou que ficarem a menos de 2 metros de distância de um jogador ou diretor adversário serão expulsos e punidos.

- Qualquer bola em jogo ou tocada por vários jogadores será substituída

- O time que viajar para jogar não usará a entrada principal dos hotéis e fará check-in individualmente para evitar interações com o público.

- Aqueles que viajarem para jogar "não têm permissão para sair do hotel para comer ou usar qualquer outro restaurante (no hotel ou não) aberto ao público". Eles devem ter uma sala de jantar privada no hotel e podem usar o serviço de quarto ou os serviços de entrega de comida.

- Visitas a quartos de hotel são permitidas apenas a integrantes da equipe que estão viajando ou parentes imediatos.

Dadas as apostas, alguns jogadores disseram que devem se policiar fora de campo para evitar o tipo de surtos de vírus que ocorreram no futebol profissional feminino ou no futebol universitário por causa de visitas a bares ou boates.

Lugo disse na quarta-feira à tarde que havia lido apenas um resumo de três páginas do manual da MLB fornecido por seus agentes. Mas, dadas as complexidades dos protocolos e do vírus, Lugo, que vive em Louisiana, disse que espera aprender mais quando chegar a Nova York nesta semana. De acordo com o manual, jogadores e funcionários serão submetidos a treinamento obrigatório sobre o vírus ao longo do ano. "Muito disso é senso comum", disse Lugo quanto às regras. "Apenas não toque em ninguém." / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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