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Nove de dez poles venceram

Hoje um piloto deixará o circuito de Mônaco com 90% de chance de ser o vencedor do GP amanhã. Nos últimos dez anos apenas uma vez o pole position deixou de vencer a corrida, justamente Felipe Massa em 2008.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h03

O que eu ouvi por aqui durante a semana inteira é que o carro da Red Bull iria apertar a Mercedes na briga pela pole, mas, se isso acontecer, pode ser computado como uma das raras zebras da longa história deste GP criado em 1929. Portanto, ainda acredito que o candidato a ter a noite de sono mais tranquilo estará no cockpit de um carro prateado. Também torço para que o aguardado equilíbrio chegue logo, pelo bem da Fórmula-1. Não é bom olhar para os últimos doze meses e ver que as 19 corridas disputadas nesse período tiveram apenas três vencedores: Vettel (11), Hamilton (5) e Rosberg (3).

É justo a Mercedes colher o resultado do grande trabalho que fez. Mas Vettel está acreditando numa reação. Ele e toda a equipe Red Bull, além de alguns adversários. Alonso é um que aposta mais na Red Bull do que na Ferrari, mesmo depois de ter feito aqui um ótimo treino livre. O espanhol parece ter prazer em dizer tudo o que a Ferrari não quer ouvir. Para ele, a troca de Stefano Domenicali por Marco Mattiacci na direção não trouxe beneficio algum. E quando isso é dito por um piloto tão respeitado, a consequência é o clima cada vez mais carregado. A cara de Mattiacci é de quem deve estar morrendo de saudades do tempo em que seu único trabalho era vender Ferrari nos Estados Unidos. Mas Alonso só pensa nas 19 corridas seguidas sem vencer, chegando muito perto do maior jejum de vitórias que viveu em equipe grande: 22 GPs.

O circuito atípico de Mônaco vai reduzir a diferença da Mercedes para as rivais. Mas daí até uma eventual surpresa de se ver alguma outra equipe roubar a cena, a distância é enorme. Desde que começou o Mundial de 2014, a Mercedes venceu as cinco corridas, fez todas as poles, liderou todas as voltas e apenas viu quebrada a sequência de voltas mais rápidas, exatamente por Vettel. O RB-10 progrediu mais do que qualquer outro carro e, embora este não seja o circuito ideal para se medir quanto, o pessoal da Red Bull sabe que a desejada reação não pode demorar. Ou a pressão sobre a Mercedes começa agora, ou ficará tarde demais.

Com algumas poucas exceções no final dos anos 70, na entressafra de resultados que tivemos entre Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, eu venho a Mônaco desde 1973. Sempre ouvi o mesmo questionamento sobre a irracionalidade de uma corrida de Fórmula-1 neste circuito. Houve uma época em que, para botar um ponto final na questão, foi preciso o comendador Enzo Ferrari garantir que, sem Mônaco, a F-1 ficaria também sem a Ferrari. Hoje, por divergências políticas entre o Automóvel Clube de Mônaco (ACM) e a FIA, o assunto está de volta. Não dá pra negar que a pista não combina com velocidades próximas dos 300 km/h. Mas isso acontece apenas em dois trechos. Na média, a velocidade é a mais baixa do campeonato e o ACM faz tudo o que pode ser feito em nome da segurança: 2.248 pneus de proteção, 21 quilômetros de guard-rails, 743 extintores, 656 comissários de pista, 120 bombeiros, 54 médicos, 47 enfermeiros, dois postos médicos com estrutura hospitalar, nove guinchos, 12 ambulâncias e 49 câmeras de monitoramento.

A F-1 perdeu esta semana um dos maiores ídolos de sua história. Vencedor em Mônaco em 1959, ano de seu primeiro título, o australiano tricampeão mundial Jack Brabham foi o único piloto a conquistar um campeonato pela própria equipe, a Brabham, em 1966. E o automobilismo brasileiro também perdeu Sergio Sonderman, um homem que, após a morte de seu filho Gustavo em um acidente em Interlagos em 2011, reuniu forças para se tornar um símbolo da luta por mais segurança nos autódromos. Com toda a tristeza que carregou desde então, ele exerceu a nobre missão de consolar os ex-companheiros do filho e todos nós pela perda do Gustavo. Agora os dois estão juntos. A parceria entre pai e filho era tão intensa que não tinha mesmo sentido os dois continuarem separados.

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