Novela curta

Novelas boas são aquelas com grande elenco, repletas de intriga e mistério, e em geral com final feliz. Coisas como O Bem-amado, O Rei do Gado, Plumas e Paetês. Enfim, produções nas quais nossas tevês têm know-how pra mais de metro. No futebol, enredos longos tendem a provocar desgaste e não terminam bem. Nele, aceitam-se minisséries, de poucos capítulos e desfecho rápido. Como aconteceu na história da renovação de contrato de Tite com o Corinthians.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h06

Pelos sinais iniciais, pairou no ar a impressão de que o suspense iria arrastar-se na passagem de ano. O treinador pediu grana polpuda para renovar e a diretoria tomou um susto. Andrés Sanchez, presidente licenciado, arregalou os olhos e soltou o verbo, ao alegar que o clube que dirigia não nadava em dinheiro. E deu xeque-mate ao estabelecer a data de hoje como limite para definição.

Acordo que veio com um dia de antecedência, e aparentemente para satisfação de ambas as partes. Desde o primeiro momento, e apesar do tom mais duro do cartola, eu não acreditava em ruptura. Não havia motivo, não fazia sentido interromper a parceria. Se não houve desentendimento no momento mais delicado do ano - a eliminação na fase preliminar da Libertadores -, por que deveria vir agora, com todos felizes pela conquista do pentacampeonato nacional?

Sanchez foi correto e paciente com Tite, ao confirmá-lo no cargo mesmo depois do embaraçoso e humilhante tropeço diante do Tolima. Também lhe deu mão forte na transição do primeiro para o segundo turno, quando o time entrou em turbulência, viu dissipar-se os muitos pontos de vantagem sobre os demais concorrentes no Brasileiro, e por pouco não desandou. Foram demonstrações de confiança na capacidade do treinador. Nada apontava para a interrupção do trabalho.

Como o interesse para seguir a caminhada era recíproco, tudo se resumia a cifras. E, salvo novidade de última hora, as diferenças foram resolvidas. Um ganha mais aqui, o que sempre é bom; o outro economiza um tanto por mês e, em contrapartida, mantém um funcionário graduado que correspondeu.

Tite pode dedicar-se à preparação do planejamento para a próxima temporada. O Corinthians tem projeto ambicioso - falou-se até em duas equipes, a serem usadas de acordo com a competição. Para variar, a Libertadores desponta como prioridade, o que é bom e ruim. Bom, desde que a estratégia seja elaborada com inteligência e qualidade. Ruim, se houver expectativa exagerada quanto ao sucesso da empreitada. A ansiedade no torneio continental tem sido o grande adversário alvinegro. O título virá, não há dúvida. Mas com o tempo e com serenidade.

Tite deve tomar como desafio tornar o Corinthians versão 2012 mais atrevido e ousado. A equipe de 2011 foi equilibrada, mas sem muitos momentos de brilhantismo. Ok, ganhou o Brasileiro, só que de maneira muito econômica, sem resultados encantadores (exceto os 5 a 0 no São Paulo). É hora de aprimorar esquema, para mostrar um time sólido, difícil de ser batido e envolvente no ataque.

É pedir demais? Não acho. Se o Corinthians quer ser o nosso Barcelona, que comece desde já, na prática.

O grande duelo. Epa, pensou que esqueci do Barcelona? Claro que não, pois só se fala dele nestes dias. Fez a parte que se esperava, não tomou conhecimento do Al Sadd e vai para o duelo com o Santos pronto como sempre. Messi e Neymar vão encontrar-se. Quem vai ganhar? O futebol.

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